Correntes

Quando não me restar
nenhuma réstia de lucidez,
prende-me com uma corrente marinha.

Quando não mais suportar a minha loucura,
Ata-me!
Amarra, amor, meu pé a um pé de vento!

Desata os nós, destrata o nós
e ata-me fortemente
a uma corrente de vento ascendente!

Trança para mim uma corda com a linha do equador!
E, no fio da navalha, farei acrobacias
sem medo de cair numa rede de intrigas.

Veste-me uma camisa de força com estampas florais!
amordaça-me com a tua hipnótica assertividade!
inocula-me o veneno da apatia e da hipocrisia!
mesmo assim, ouvirei o chamado do mar e do vento.

Correntes convergentes ou descendentes,
Térmicas, lépidas ou correntes tropicais,
Correntes frias dos polos ou correntes equatoriais,
Correntes que me libertem da lucidez inconveniente…!


Mandu Holanda (Ceará, 1968). Pedagogo por formação, Oficial de Justiça por profissão, Músico por diversão e Boêmio por vocação. Casado com Lene, pai de Yorrana, Gabriel e Ariadna e avô de Maria Clara.

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.

Um comentário sobre ldquo;Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Mandu Holanda

Deixe uma resposta