A sombra

haverá alguma sombra
que toque a flor nauseabunda
do corpo estirado na viela?
e a sombra descerá mansa

sem alarde? acariciará o
corpo frágil da flor sobre
a carne estendida e fria,
já surda aos gritos pardos?

a sombra será como
consolo da amamentação
na madrugada, ao choro
de fome, ou de medo?

quando a sombra partir,
descabida e indomável,
ante o dia, o café, a rotina,
o corpo já será foto e enfeite?

a flor será de plástico?
e a sombra será de gente?


Renan Reis (Mongaguá, 1989). Formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas.

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural e agente literário pernambucano baseado no Rio de Janeiro e São Paulo. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.

Uma resposta para “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Renan Reis

Comentários

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s