A sombra

haverá alguma sombra
que toque a flor nauseabunda
do corpo estirado na viela?
e a sombra descerá mansa

sem alarde? acariciará o
corpo frágil da flor sobre
a carne estendida e fria,
já surda aos gritos pardos?

a sombra será como
consolo da amamentação
na madrugada, ao choro
de fome, ou de medo?

quando a sombra partir,
descabida e indomável,
ante o dia, o café, a rotina,
o corpo já será foto e enfeite?

a flor será de plástico?
e a sombra será de gente?


Renan Reis (Mongaguá, 1989). Formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Renan Reis

Comentários

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s