Como uma tarde crepuscular, de tons dourados e candura poética, é ele que está chegando, devagarzinho, o Outono… Com ele, os sinais de mudanças que a mãe Natureza traz no silêncio de sua beleza, quando começa a se manifestar este eterno fenômeno que se concretiza nas estações do ano: inverno, primavera, verão e ele, o doce outono. Cada estação marcada com suas características e nuances de esplendor e magia. São diversas alterações que acontecem, nas paisagens, nas cores e até nos comportamentos e no modo de viver e existir de tudo e de todos nós, influenciando nossos sentimentos e emoções. Com suas cores e toques de encanto, o OUTONO está chegando. A brisa já sopra com mais frescor e amenidade. O verde das plantas manifesta os sinais da transformação com tonalidades de amarelo e dourado nas folhas secas que começam a cair, com leveza e encanto, o que nos faz lembrar o saudoso poeta Mario Quintana, em seus belos versos, no Hai-Kai de Outono:
“Uma borboleta amarela?
Ou uma folha seca
Que se desprendeu e não quer pousar”.
O outono não chegou, ele vai se fazendo presente aos poucos, como quem sabe o que quer, silencioso, como o passar do tempo e o envelhecer de tudo, do seu jeito maneiroso e em seus vários tons de saudade perfumada e colorida.
O outono não tem pressa, ele tem calma e serenidade, como se fosse um dos momentos mágicos de um poente que se desfaz em luz, mas, docemente, cede lugar às sombras. Ele traz o sentimento da volta para casa, do caminho do ninho, do aconchego do lar. É a chegada, já prenunciando uma nova partida, hora de contemplar, com suspiros, lembranças de momentos passados, e se preparar para o milagre da renovação que certamente acontecerá, como certa também será a chegada de cada nova estação do ano, numa perfeita continuação da permanente transformação de tudo.
O grande exemplo que o outono da natureza deixa para o homem é a aprendizagem de aprimorar e vivenciar a sua maturidade, seu estado outonal, o poente da Sua Vida, seu bem mais precioso, sua plenitude de corpo e alma. Celebrar o seu ser. Viver o prazer de se encontrar e de abraçar o outro, aceitando-o como é… O outono é a estação da essência, da alma. O que fica da grande lição é aprender a caminhar buscando sempre viver cada período da vida com a sabedoria e beleza do outono que a natureza constrói, numa perene jornada traçada com amor, harmonia, serenidade e persistência, que aprendemos a cultivar direcionados pela paz e pela fraternidade.
A vida repete a grande arte da mestra Natureza, nas suas estações do ano. Assim, nos perpetuamos: nascer, crescer, brilhar, envelhecer e morrer, para depois renascer novamente… Assim também é a vida. Ela também tem seus vários tons de cores e sabores, que cada um deve aprender a ver e sentir, no seu tempo. Cada um de nós, no seu tempo próprio, vai viver sua experiência única dos momentos mágicos do seu OUTONO, pois, como diz a sabedoria sagrada:
“Tudo tem o seu tempo determinado… Há tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de colher… Tempo de chorar e tempo de rir, tempo de estar calado e tempo de falar, tempo de guerra e tempo de paz…”
Que o Outono seja, para todos nós, o tempo de cores suaves, doces sabores e plenas alegrias!


Miguel Campos Sepúlveda (Rio de Janeiro, 1935), educador. Fundador da cadeira 09 da Academia de Letras de Toledo (ALT), Paraná.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “O outono, por Miguel Campos Sepúlveda

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