Esquinas e avenidas

Eu pensei que havia superado
o medo de trocar
a estrada principal
por trilhas escondidas,
onde os verdes ramos divergem
em caminhos
inéditos.
Mas não,
todos os precipícios me exigiram
desarticulação,
e mesmo nos dias de verão
as palavras continuam a clamar
por ordem
alfabética, cronológica, empírica
metódica, realística, sequencial.
Tenho, é verdade,
que aceitar a troca:
a lapidação é custosa
e o preparo para existir espera
o barulho do pensamento
inaudível.
É necessário o rugido primeiro,
que vem aquecer madrugadas frias,
para poder estar de pé.
E assim, despido de pincéis,
um dia desabará o mundo,
e, em seguida, oh Deus,
há de vir o eu


Antônio Figueirôa Escobar Teixeira de Oliveira (Recife, 1999). Graduado do International Baccaluareate no Pearson College UWC, Canadá.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Antônio Oliveira

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