Para minha amiga Montse Oseguera
Para mi amiga Montse Oseguera

“…fly into the night of the dark black night”
– The Beatles

Blackbird

Tú significas tanto
Muchacha asombrosa
Cuando vamos caminando
Con contratiempos y silencios
Llevamos la cuenta del compás en la mente
Como se lleva la imagen de un gesto.

Un mínimo destello ha de perdurar
En unas pocas líneas
En una pincelada gris
De lo que cada cual tiene de irrepetible
Por ejemplo en la palpitación de tus botas inquietas
Contra el suelo.

Vuelo al pie del oído
Resistencia y peso frente a la grave edad
Arpegios xilografías de la modularidad
En esa guitarra distante por la memoria
Que es ya una serenidad íntima.

Quizás seas tú misma
Una noción puramente metafórica
Mujer pájaro en el pensamiento
Iluminación e invención de la sombra.

Para mí un poema es también los pasos en el recuerdo
¿La dulzura del pasado?
Poetizar es recordar o fotografiar lo que se siente
Y hasta la calidad de soñar en el instante
El futuro verdadero.

Quizás seas tú misma una noción
Quien golpea – sintiendo – el suelo de la noche
Quien rodee con sus pasos
El secreto de esta canción.

Merlo-preto

Você representa muito
Moça assombrosa
Quando vamos caminhando
Com contratempos e silêncios
Cuidamos a conta do compasso na mente
Como se leva a imagem dum gesto.

Um mínimo lampejo há de ficar
Numas poucas linhas
Numa pincelagem grisasse
De o que cada qual tem de ir repetível
Por exemplo, na palpitação de suas botas desassossegadas
Contra o chão.

Voo ao pé do ouvido
Resistência e peso frente à grave idade
Arpejos xilogravuras da modularidade
Nesse violão distante pela memória
Que é já uma placidez íntima.
Talvez seja você mesma
Uma noção puramente metafórica
Mulher pássaro no pensamento
Iluminação e invenção da sombra.

Em minha opinião um poema é também os passos nas lembranças
A doçura do passado?
Poetizar é lembrar ou fotografar o que se sente
É até a qualidade de sonhar no instante
O futuro verdadeiro.

Talvez seja você mesma uma moção
Quem bate —sentindo—o chão da noite
Quem rode com seus passos
O segredo de esta canção.


António Bohórques (México, 1995). Estudante de língua portuguesa no Instituto Camões da FES Acatlán UNAM, escritor, pesquisador, tradutor e corretor de estilo no Instituto de Investigaciones Filológicas.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Neolatina: Muestra de poesía española, por António Bohórques

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