Escritos póstumos

Tenho por mim
que os melhores escritos são os incompletos
aqueles que deixam sensação de devir
o angustiante silêncio de palavras roucas que se calam no desenrolar da narrativa
despigmentam-se da folha tingida
e deixam na boca seca
a sede pelo pote vazio
suspiros que se rompem e desencadeiam pelas paredes rachadas de um quarto diminuto
as mãos calejadas trepidantes procuram entre as folhas finais
um consolo que se não tem.


Joel Ferreiro (Ceará, 1990). Natural de Horizonte, graduando em Psicologia. Acredita que o lirismo é uma terra vasta e que seus poemas vez por outra o ferem, entretanto dão a oportunidade de algo ser plantado na fenda recém-aberta.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Joel Ferreiro

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