Um gancho de ar

Nuvens soltas, num céu azul.
Aqui, lá, acolá, perfazem-se,
Entre as golfadas de ventos,
Um ou outro gancho de ar.

Por aqui, ele vem golpeando
As pétalas das rosas; tal igual,
Como se, uma foice, fosse.
E elas, ao vento, longe se vão…

Deixando-se levar para bem longe
Do roseiral – que agora – com as suas
Rosas despetaladas, – aturdido – fica:
Balançando-se de um lado para outro.

Desnudo. Apenas, com os seus pistilos
Encorpados aos seus botões maduros.
Contendo, dentro de si, novas sementes.
Protegidas nos cálices, em seus galhos:

E que agora ficaram desprovidos
Das intensas belezas em cores vivas
Dos avermelhados tons das rosas
De antes: tão replenas de pétalas.


Odenir Ferro (São Paulo, 1990). Escritor, poeta e Embaixador Universal da Paz.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Odenir Ferro

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