Esquinas e avenidas

Perdi a liberdade.
Não tenho a quem culpar,
de modo irônico e imoral.

A única liberdade que hoje tenho
é a de seguir-me, vivíssima.
Feito aquela paisagem no jardim,
referência de um tempo,
onde se ouviam crianças,
onde se educavam as mãos para pegar em livros,
onde se desenhava com cacos de tijolos vermelhos.

Sob esses jardins, ergui pensamentos,
que hoje miro, sem reconhecer.
Desalento?

É um sinal de estar viva.
porque inquieta,
porque inconclusa.

Quem tem olho é só,
e amigo,
mas não Rei.

À noite,
quando sinto o cansaço subindo-me pelas pernas,
lembro-me do excesso de vida agarrado ao dia.

Acúmulos,
da cova de saber-se a rolar,
pelas horas,
agora mortas.

Um pequeno enredo já me faria feliz.

O mundo lá fora segue,
num tanto que desconheço.

O que me cabe, agora,
é dormir.
Sob os jardins.
Sob Deus e seus mistérios notívagos.


Grasiela Fragoso (Niterói, 1981). Poeta. Tem poemas e textos publicados em coletâneas, jornais e revistas. Autora do blog http://www.finatempera.wordpress.com

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural pernambucano baseado no Rio de Janeiro. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Grasiela Fragoso

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