Sem título

Os dias se mostram mais curtos
Igual a minha paciência
Duas décadas de vida
E não aprendi nada
Achei que sabia o que queriam
Pensei saber o que iria me tornar
Mas não sabia
Não
Ninguém sabe

Os dias se mostram mais curtos
Igual seus olhares para mim
Que hoje permanecem focados
Na tela do celular
Esqueceu meu olhar
Esqueceu
Me esqueceu no mundo azul
Do celular

Os dias se mostram mais curtos
Igual os sons que escuto
Foi-se o tempo que eu aguentava ouvir Bach
Hoje
Mais de três minutos já me fadigam

Os dias se mostram mais curtos
Mas a agonia
Meu amor
Continua crescendo


Júlio Valentim Barbosa Neto (Currais Novos, Rio Grande do Norte, 1997). Procura, através das letras, dar suficiência à vida.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Julio Valentim Barbosa Neto

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