Espelho

Olhei-me por horas
Refletido no vidro da janela
E por trás de mim
Outra repetição de espelho

Mas esse ser que olhei não
Me parecia ser eu mesmo
Era um não-eu
Não sei dizer

Algo que eu fui
E não continuei sendo

Refletido em mim
Reflito:

A função prática do espelho
É virar pedaço de vidro
Que fura o pés distraídos
E a mão desavisada
E não refletir indivíduo
Que de si mesmo não sabe nada


Mozart Oliveira (Gravatá, 1992). Poeta pernambucano.

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.

Um comentário sobre ldquo;Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Mozart Oliveira

Deixe uma resposta