Espelho

Olhei-me por horas
Refletido no vidro da janela
E por trás de mim
Outra repetição de espelho

Mas esse ser que olhei não
Me parecia ser eu mesmo
Era um não-eu
Não sei dizer

Algo que eu fui
E não continuei sendo

Refletido em mim
Reflito:

A função prática do espelho
É virar pedaço de vidro
Que fura o pés distraídos
E a mão desavisada
E não refletir indivíduo
Que de si mesmo não sabe nada


Mozart Oliveira (Gravatá, 1992). Poeta pernambucano.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Mozart Oliveira

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