Oceano noturno

Oceano noturno de vasta extensão e negrume,
A ti, contemplo com terrificante fascinação!
Que criaturas abissais, hediondas, habitam em teu seio?
Segredos ocultados por tênue epiderme,
Superfície de calma e monótona aparência.

Vejo-me em ti…
Em teu fúnebre silêncio…
No horror que assoma aos que tentam desvendá-lo.

Oceano noturno, és minha alma!

Ao Mar… Na noite… Tempestade!
Hora mais difícil de navegar!
A quantos já devorastes, insaciável maelström de almas?
Outros tantos conduzistes à Loucura…
De tuas entranhas paristes Syla e Caríbides…
Ao insano Ahab destes um eterno lar…
Em ti, o astuto Odisseu expiou suas culpas…

Oceano noturno…
Lugar de solidão e melancólica beleza.
Vejo-me em ti…


Pedro Ferreira (Salvador, 1972). Poeta e contista, músico e artista plástico diletante.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Pedro Ferreira

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