Nada nos pertence

As Ideias Divergentes
Das Inquietações Pessoais
Dos Seres Viventes.
As Tomadas de Decisões
Dos conteúdos Banais dos Idealistas
Canibais.

Os Rios de Poderes
Que vos coloca no Pedestal
Da Supremacia Diferencial
De direitos Iguais.
A Insensibilidade do quadro Negro
Sensível dos olhares Tristes.

Pelos Suspiros de vida, Cobra Justiça
Nada nos Pertence
Muito Menos a Vida
O Ar Que Respiramos,
A vontade de sermos Superiores
Ao Devoto Solidário Pelas Causas
Solidárias.

Nada Nos Pertence
Até Mesmo o nosso Manancial
Zeros da conta Bancária
Faz-nos Seres Superiores.

A ignorância de meu gesto

Ser prestável e Solidário
Para com o meu Próximo
Faz parte de mim.
Sou patente de um Semblante
Não Sombrio, fechado e carregado
De traços fecundos de um passado
Triste.

Sou prestável, segundo o meu ponto
De vista natural, que fervilha dentro
De mim. O instigado desejo de sempre
Prestar tributos ao meu próximo.

A Ignorância do meu gesto
Empresta sedução e conquista
Na interpretação maliciosa do ego
Ignorante de quem desconhece
A leitura textual.

A crise de memória

Confundir o rácio intelectual
Crismando o desmando
De sua própria memória.
Bloquear o óbvio memorial
Mente aberta no contexto
Social humano das sociedades
Em crise.

A crise de memória!..
Fatídica motivação consensual
De princípios étnicos linguísticos
De crises globais, que desbloqueiam
As memórias em crise
A crise de memória.

Cuidarei do meu jardim

Verde de esperança
Promessas imensas
Nas mensagens
De compromisso do omisso
Sorriso valente de esperança.
O clamor de sede que sinto
Fome de beleza do amor

Pela dor.
Cuidarei do meu Jardim
Todos se sentam
Nele pela manhã!
Pela tarde!
Ou pela noite!

Mas ninguém se lembra
De dar de beber
Este manancial de encanto
E sossego do apego de beleza.

Sinto falta da gentileza do homem
Que busca o menor para se tornar
Maior.
Que se torna pior
Com o furor de milhões.
Passarei a cuidar do meu jardim.


Ngongongo, pseudônimo de António Baptista (Luanda, Angola, 1962). Angolano, fez os seus estudos primários na escola 176 no bairro Popular (Neves Bendinha) e nas Caritas em Angola (Kilamba kiaxi). Frequentou o ensino secundário na escola João Crisóstomo (Ngola Kanini), tendo adoptado o pseudónimo literário (Ngongongo). Iniciou a sua actividade sociocultural em 1989/1990, influenciado por Avelino Tavares de Almeida (Dikota), pelo facto de ser uma figura dedicada às lides culturais. Ainda no mesmo ano já integrado no grupo de teatro (Horizonte Njinga Mbandi) e (Oásis D Angothel). Em 1991, partiu para Província do Namibe, onde passou a pertencer à delegação dos desportos, como activista desportivo. Após o percurso na esteira da sua veia desafiadora, no âmbito do activismo desportivo e cultural, é promovido ao cargo de chefe de secção cultura física, desporto e recreação. Frequentou, em 1993, um seminário básico de capacitação científica e artes cénicas, com a participação de três províncias na vizinha província do Lubango, valendo-lhe o 1º lugar. Colaborou com a delegação da Cultural, como activista.
Foi vice-presidente do movimento de trova vulgo brigada (Manguxi) e secretário para a informação da brigada jovem de literatura (BJL). Caminhando de passos firmes na senda do projecto sociocultural, teve a oportunidade de também conhecer o crítico literário doutor Akiz Neto, que, sob sua orientação, participar de uma formação básica sobre técnicas literárias. O angolano António Baptista (Ngongongo), teve à primazia de ver os seus primeiros poemas a serem publicados no Jornal (Mwangolé) da Embaixada de Angola em Portugal e, consequentemente no poemário MD. PT da mesma instituição, que na qual faz parte. Muito recentemente, viu também publicado mais alguns poemas no Projecto Encontro dos poetas da língua portuguesa (EPLP), que tem como mentora a Doutora Mariza Sorriso, designado (Todos os Tons da Poesia). Actualmente é Vice-Presidente da Associação da Comunidade Angolana em Almada (ACAA). Vive em Portugal (Lisboa), no concelho de Almada (Laranjeiro).

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia negra contemporânea, por Ngongongo

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