Veias abertas

Nasci mergulhado nas veias abertas
Com a cordilheira incrustada na alma
Sentindo cheiro de goiaba e mangabeira
Madeira que desata o nó
Onde a revolução se faz com bala e poesia
Com gosto de vento e sal
Neve e trigo

Nasci em abrigo
De índio catequizado em dezembro chovedor
Quando Diadorim visitou Macondo

Nasci no alicerce das estranhas catedrais
Batizado e ungido com o sangue que verteu do ouro
Enquanto as ventanas estavam cerradas

Veias abertas que jorram vinho tinto e cachaça

Boleros, tangos, umbigadas
Sambas, batuques, merengue de rua
Salsa
Tempero vermelho e preto onde o diabo é branco


Vinicius Maganha (Pirassununga, 1981). Poeta, compositor, cantor e violinista.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Vinicius Maganha

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