A crítica de Liberdade é ávida, crédula, inquisidora, persistente e consciente. Não há uma só univocidade neste texto e, por isso, não somos totalmente poupados, mas, de alguma forma, atingidos pelo riso-escárnio do autor. Li e reli Liberdade por três vezes, não por quê fosse necessário para seu entendimento, mas para dar oportunidade ao meu subconsciente de assimilá-la por inteiro.
Sociológico, político, humanístico e cotidiano. Assim poderia descrever o teor literário dessa epopeia social que nos convida ao desbravamento de enxergar o mundo além de nossas lentes cor-de-rosa. Nesta obra, Bruno Macêdo Mendonça é um explorador de limites sociais, um investigador das penumbras de nossos medos, de nossas angústias, das nossas corrupções, nossas delícias, desejos, anseios e esperanças. Todos esses elementos são ponto de partida para reflexões que nos causam uma certa indeterminação de sentidos por serem tratadas impudicamente, por nos servir de espelhos.
E somente a audácia de um explorador pode criar a imagem real dos personagens desesperados, que descobrem mesmo que inconscientemente o seu fio condutor de vida, que percebem-se no contexto de suas realidades como pequenos seres que movem as engrenagens unidirecionais do meio social.
Há dentro desse texto uma recusa explícita de se fazer uma crítica para que poucos entendam e um desejo libertador de falar a língua do povo. Na nossa frente desmorona imperceptível – aos olhos mais desatentos-, uma sociedade colapsada, confortável em suas próprias bolhas. Ao ler Liberdade por repetidas vezes, pareceu-me desafiador olhar para o meio social como se o fizesse pelas lentes de um caleidoscópio, ao mesmo tempo que me vi percebido e da mesma maneira lido pelos seus personagens.
Sem manifestar piedade ou parecer caricato na construção de seus Joões e Marias, ou melhor, dos Lucas, das Terezinhas, dos Xis, dos Cabeças; em Liberdade, Bruno Macêdo Mendonça nos deixa íntimos de cada um de seus personagens, de suas ações, de suas reflexões, de suas realidades que por hora confundem-se com a nossa e por vezes misturam-se em uma só.
São destinos entrelaçados – os dos personagens e dos leitores -, que compõem em conjunto uma das mais bem construídas crônicas sociais de nossos dias, de grande impacto sócio-crítico-emocional, e que retrata em delicadas pinceladas a atmosfera e a realidade em que vivemos. Liberdade é um dos livros do autor que certamente terá o devido reconhecimento e aclamação do público, o principal homenageado nesta obra.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Editor chefe da Philos, escritor e curador de festas literárias.

Uma resposta para “Liberdade, por Souza Pereira

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