Os que correm

Os que correm
então acreditavam na submersão
da atmosfera por tufões baldios e arrancavam fora manadas de gigantes,
totalmente conscientes da inutilidade
da esperança de ver brotar
das pedras
sonhos

os que correm
então falsificavam gorjeios
esperando impacientes por multidões de fugitivos acossados
que acreditassem nas penitências,
pai, nas penitências!,
guardadas apenas para os aviltamentos
confessados aos
gritos

os que correm
não tinham credo nenhum,
e viam grosseiros erros estéticos no pecado original;
torcendo os narizes, não viram
a palavra filho, casada com a palavra mãe,
furar os
olhos

os que correm
pararam somente
quando choveu fora do poema.


Gilberto Clementino Neto (Olinda, 1988). Poeta.

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.

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