A dura tarefa de sustentar um talvez

Eu amo com as urgências dos temporais, dos vendavais, das ruas engarrafadas.
Que alagam, que modificam a paisagem…
Que trazem o olor da terra umedecida, encharcada, embebecida.
Tenho pressa.
Não se dilua na água escorrida, evaporada na impessoalidade do dia a dia.
O que mais precisas?
Precisos são os afetos, imprecisas, as palavras.
Não te demores.
Cumpra apenas o tempo do talvez.
Esse tempo afeto que pendula, que faz gangorrear a decisão.
Discorre, corre, difere, confere, tempo in-pulso.
Gesto que ensaia o passo, que abre a porta e encerra o mistério.


Grasiela Fragoso (Niterói, Rio de Janeiro, 1981) Poeta. Autora do blog http://www.finatempera.wordpress.com. Tem poemas e contos publicados em coletâneas e revistas. Prepara seu primeiro livro de poesias.

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural pernambucano baseado no Rio de Janeiro. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Grasiela Fragoso

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