Bilhete para M.P.G.

Entre nós, nada a dizer.
Tudo não dito foi encerrado,
Como um velho barco naufragado
Em meio à calmaria de um Oceano vasto,
Como a folha que soltou do galho,
O orvalho que a manhã secou.

Só a memória preserva o som das horas findas,
Seus gestos, os tons da flor que desbotou…

Que a grama lhe seja macia aos pés
E a chuva fria traga vida ao seu quintal,
Que as cores do Outono anunciem um farto
Período de colheita, e a cigarra uma quente
Manhã de Verão. Tudo além é passado.

O vento leva as horas breves, o farfalhar das folhas
Leves, sustenta as asas do beija-flor…


Jessyca Santiago (Pernambuco, 1988). Mora no Rio de Janeiro, graduada em Letras pela UERJ. Trabalha como professora é tradutora e tem trabalhos publicados em revistas literárias.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Editor chefe da Philos.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Jessyca Santiago

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