Hiato

um charme
em quarto de vidro
espuma verde
que circunda os jeans
do xará dos diabos, no joelho
incapaz variedade de prever
o xamã no ponto clínico
sirene na colmeia dos abutres
louvo-te hiato
louvo pela capacidade que me tens
de purificar minha demência
de persuadir minha clemência
de extorquir meu saldo de observações
louvo pela simples castidade que propõe
impõe, em baldes de mármore
suave como o título lhe traduz
o silêncio que exterioriza meu sorriso em carne viva
sensato, sensato, sem tato
clamo a ti
a impureza
de um novo impacto
intacto


Ramon Carlos (Santa Catarina, 1986). Escreve no site http://www.estrAbismo.net. Sua carreira literária resume-se a dois contos publicados em uma antologia. Além de uma coleção de poemas, escreveu um romance e um livro de contos, nenhum deles publicados.

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.

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