poeminha da praia

piscinas naturais
(berço de corais)
são legais em tese
mas na real
meus pés preferem
a pura areia
em sua maciez
de infância

não diz

a maré que vaza
não diz
dos perigos
sem fim
sem fundo
e sem fôlego
da maré que enche
e a tudo cobre
alaga
e fecunda
de puro sal

ventre escuro
do desconhecido.

no dice

la marea que vacía
no dice
de los peligros
sin fin
sin fondo

y sin aliento
de la marea que llena
y a todo cubre
alaga
y fecunda
de pura sal

vientre oscuro
del desconocido.

o sol do atlântico

o sol do atlântico
feito merthiolate
derramado
ardendo
vai me curar
cicatrizante
a fogo e
à custa de
cegueira e muita
muita dor
das feridas
mais descarrilantes
que trago em mim

crônica de um verão

Na crônica deste verão
em que reencontro voz
no sonho de um exílio
(em Glória)

chove agora, e a previsão
que a frente fria sobre nós
estacionada traz ao Rio

é de mais chuva forte
umedecendo um dia de temperaturas
possivelmente a trinta e cinco graus.

Que venha o Carnaval!

Tradución de Souza Pereira


Thássio Ferreira (Rio de Janeiro, 1982). É poeta e contista, autor do livro de poemas (DES)NU(DO) (Íbis Libris, 2016) e de contos publicados nas antologias Prêmio VIP de Literatura 2016 (A.R. Publisher, 2016) e “Entre Amigos” (Sinna, 2016). Recentemente, seu livro inédito de contos “Cartografias” foi um dos pré-selecionados ao Prêmio Sesc de Literatura 2017. Tem poemas e contos publicados em revistas diversas como Philos, Germina, Mallarmargens, Revista Semeadura e Avessa.

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural e agente literário pernambucano baseado no Rio de Janeiro e São Paulo. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.

Uma resposta para “neolatina: poemas de verão de Thassio Ferreira

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