paisagem

Quando fechei os olhos,
do outro lado da cama
o seu corpo não estava,

– você
insistiu em mudar de cidade.

Ora os sonhos!?

Quando um homem
traz no peito a paixão,
a conversa por cima da
mesa é mais séria,
antes concebê-la n’alma
do que viajar pelos sentidos.

Não sei se hoje um Deus,
ou se amanhã o sangue
percorrerá minhas veias.

Sossego.

Eu só queria beijar a chuva
e beber o cheiro da sua
presença,
acordar e conduzir
a lua por um outro sol
e libertar em mim
o caminhar da vida.

Coisa inútil
quando os versos cantam,
não pelas melodias,
e sim, por sentimentos,
é que defronte a paixão
estão os lábios da rainha
que outrora as nuvens conceberam.

Ora os sonhos!?

um último suspiro,
teria sido mais urgente.

paisaje

Cuando cerré los ojos,
del otro lado de la cama
su cuerpo no estaba,

– usted insistió
en cambiar de ciudad.

¿¡Vaya los sueños!?

Cuando un hombre
trae en el pecho la pasión,
la conversación por cima de
la mesa es más seria,
antes concebirla en el alma
del que viajar por los sentidos.

No sé si hoy un Dios,
o si mañana la sangre
recorrerá mis venas.

Tranquilidad.

Yo sólo quería beijar la lluvia
y beber el olor de su
presencia,
despertar y conducir
la luna por un otro sol
y liberar en mí
el caminar de la vida.

Cosa inútil
cuando los versos cantan,
no por las melodías,
y sí, por sentimientos,
es que enfrente la pasión
están los labios de la reina
que otrora las nubes concibieron.

¿¡Vaya los sueños!?

un último suspiro,
habría sido más urgente.

o bonde do silêncio

Já é noite e o bonde do silêncio
permanece intacto.

Nas ruas as pessoas observam os
pássaros a sobrevoarem as
correntezas.

E tudo permanece intacto.

Os amantes, os Deuses, as estátuas.

Só a poesia perambula.

Acaso os versos caminham ágeis e
desapercebidos.

E tudo permanece intacto.

el tranvía del silencio

Ya es noche y el tranvía del silencio
permanece intacto.

En las calles las personas observan
los pájaros a sobrevolar
las correntezas.

Y todo permanece intacto.

Los amantes, los Dioses, las estatuas.

Sólo la poesía perambula.

Acaso los versos caminan ágiles y
desapercebidos.

Y todo permanece intacto.

cada osso

Quando nossos corpos fundirem-se,
cada osso se desintegrará,
o gozo irá surgir aos poucos,
até que nossas almas se toquem,
meus olhos não chorarão de prazer,
meu corpo não soluçará dor,
mas reagirá forte,
a qualquer tentativa de cura.

cada hueso

Cuando nuestros cuerpos se fundan,
cada hueso se desintegrará,
lo gozo irá a surgir a los pocos,
hasta que nuestras almas se toquen,
mis ojos no llorarán de placer,
mi cuerpo no va a sollozar de dolor,
pero reaccionará fuerte,
a cualquier tentativa de cura.

Tradución de Souza Pereira


Carlos Cardoso (Rio de Janeiro, 1973). Poeta, possui formação em engenharia. Sua estreia na literatura ocorreu em 2004, com o livro de poemas Sol Descalço (Editora 7Letras). Em 2005, publicou Dedos Finos e Mãos Transparentes (Editora 7Letras), recebendo várias críticas elogiosas. No seu mais recente livro de poemas, Na Pureza do Sacrilégio (Ateliê Editorial, 2017), em sua apresentação, o crítico Silviano Santiago, o aproxima de grandes nomes da literatura, como Octavio Paz e Fernando Pessoa.

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural e agente literário pernambucano baseado no Rio de Janeiro e São Paulo. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.

Uma resposta para “neolatina: três poemas de Carlos Cardoso

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