frida kahlo

Faz uma tela sentida:
Prepara pincéis e tintas,
Um’alma exposta, ferida…
O que ela externa tu pintas.

Carrega nas cores quentes:
Rosto? Amarelo-pavor.
Ígneas lanças nos dentes;
Na boca, maçã do amor.

Nos olhos, usa três cores:
Tenta azul, verde e cinzento.
Tons de finados amores…
Arco íris em tormento.

Não poupes nas cores frias!
Põe púrpura nos cabelos.
Nos seios, como farias?
Cor de gelo, sem apelos.

Nem penses ficar com ela;
Assim, ela te domina!
Crava no corpo da tela
A fria espada da China.

Fêmea louca que se esvai?
Ah… Não te sintas dorida.
É tinta o sangue que cai.
É bela e ainda tem vida.


Verônica Marzullo de Brito (Rio de Janeiro, 1961). Sou analista de TI (databases, sistemas e negócios) e poeta. Participo de vários saraus, coletâneas e de uma revista portuguesa (Revista Phénix). Meu primeiro livro de poemas chama-se Moto Contínuo.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Editor chefe da Philos, escritor e curador de festas literárias.