minhas próprias palavras

Nasci uma criança tímida.
Não sei se nasci ou cresci assim.
Fui quase sempre a esperança rígida
De criança trancada.

As portas sempre me foram abertas,
Mas era hábito olhar da janela –
O vidro que me embarreirava
Me protegia – eu acreditava.

E acontece que, tímida ou não,
A criança queria ter voz,
Por educação,
Princípios,
Opinião.

Agora, não faço a menor questão
De ter razão.
Falei tanto para dentro
Que rachei minha própria janela.
Depois que passei por ela
Descobri que dito não se cancela.

Então, se hoje falo demais, perdão.
Quero ter voz, não razão.


João Pedro Maciel Schlaepfer (Rio de Janeiro, 1995). Participei de concursos literários que trouxeram resultados na área de poesia. Publiquei em 2015 Escrito na Marra, pela Editora Kazuá, além de diversas parcerias tanto literárias quanto técnicas.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Editor chefe da Philos, escritor e curador de festas literárias.