Editorial #1
por Elayne Bione

Numa conferência em Montevideo, ouvi um cantautor equatoriano, respaldar a música tradicional de seu país, como um importante fio condutor da história de luta e resistência dos povos originários da região.
Ao longo da apresentação, o compositor mostrava com orgulho e traçava comparações das músicas populares criadas no Equador, com pinturas que emblematicamente retratam fenótipos de sua terra natal. Figuras estas, vítimas de descriminação e exclusão social secular. Eram quadros de Eduardo Kingman, ícone do indigenismo equatoriano no século XX, e que subitamente me saltou o pensamento “Sobre quais assuntos ainda cantamos atualmente? Crítica? Resistência? Sonhos? Realidades?”
Há de considerar que, em tempos turbulentos, incertos e torpes, cantautorxs são os historiadorxs mais fiéis do cotidiano, mesmo passando pela realidade às vezes intragável de viver. Remanescentes dxs mais emblemáticxs críticxs da vida, esses compositorxs da América Latina permanecem sendo importantes gestores de sentimentos e pensamentos, e são, ao mesmo tempo, pouco decifrados.
Passando pelo Manifesto del Nuevo Cancionero, publicado em Medonza, numa Argentina dos anos 60, também acompanhado por vários outros movimentos no Uruguai, Chile e Cuba com a ‘nueva canción’, e o familiar Tropicalismo, Mangue Beat, entre outros movimentos brasileiros que rogavam literalmente [e por códigos] mudanças, várias movimentações surgem e ressurgem aos nossos olhos, com novas inquietudes, conceitos e bandeiras.
São nestes versos que vimos cantarem o fim das guerras, da repressão e da escravidão moderna, da intolerância. Versos que rogam por igualdade, emancipação, autoconhecimento, amor incondicional e independência. As bandeiras e as lutas são diversas, com várias perspectivas e com apenas uma única finalidade de liberdade.
Assim, nasce dentro da revista neolatina Philos, este suplemento musical dedicado aos poetas da canção. Onde daremos asas às palavras escritas pelxs artistas de uma América Latina atual, cheia de veias que ainda pulsam prontas para serem conectadas com o leitor e ouvinte.
A nova América Latina, que mesmo aos pequenos golpes sofridos, mostra a cara à tapa, dança, pula, canta e ainda brinca carnaval. Atenta sempre, iludida nunca. E, em qualquer esquina, nos novos versos que um violão entoar, viverá um Jara, um Milanés, uma Parra, um Guillén, um Viglietti, uma Sosa!
Um Zitarrosa, Alarcón, Rodríguez, Nascimento, Buarque.
Um Veloso!


Curadoria

philosmusical é um projeto com curadoria geral de elaynebione desenho e diagramaçao da casaphilos edição de souzapereira e curadoria especializada de adrianacalcanhotto josuéveloso johannegomezterrero rafaelmunizsens yigosugasti elaynebione com direção de arte ewelinakarpowiak laurelinedelahousse joãovictorfioroti amandacordeiro ritamonteiro e joãoferreira

ARTISTAS

Natália Matos (Brasil)

Natália Matos encabeça a safra de artistas paraenses que apresenta trabalhos cosmopolitas ao mesmo tempo que reafirma a excelência na produção de um pop rico em multi-referências. O disco “Não sei fazer canção de amor” foi realizado através do patrocínio do Banco da Amazônia e de uma campanha de crowdfunding – que agregou artistas como Fafá de Belém, Osmar Prado e outros importantes artistas locais – que ultrapassou a meta e possibilitou uma grande aproximação com o público, que por sua vez entrou em contato com o repertório ainda durante a produção do álbum. Seu primeiro CD, homônimo, lançado pelo Natura Musical e produzido por Guilherme Kastrup, esteve entre os 30 melhores discos lançados no Brasil em 2014 pelo site internacional Beehype e entre os 100 melhores da música brasileira (Embrulhador). Na curadoria do Philos Musical Natália foi uma das vozes escolhidas pelas curadoras Adriana Calcanhotto e Johanné Gomez Terrero, que endossaram a voz doce e letras poéticas da cantora.

Bebe (España)

Bebe acaba de sacar un nuevo tema junto al músico Carlos Jean, “Diferentemente iguales“, en el que su máxima inspiración ha sido la gente de Iberoamérica, su “vitalidad” y su “fuerza”. Este tema se enmarca en la campaña del mismo nombre lanzada hoy por la Secretaría General Iberoamericana (Segib) para dar mayor visibilidad a los proyecto de cohesión social, conocimiento y cultura que se desarrollan en esa región. Bebe ha destacado lo que Iberoamérica tiene en común, “sobre todo en América Latina, la vitalidad, la fuerza bárbara que tiene muchísima gente cuando se quiebran sus países y, de repente, lo reconstruyen con más fuerza, siempre está todo muy a flor de piel”. “Diferentemente iguales” será la banda sonora de un viaje interactivo a través de los XX programas de cooperación iberoamericana.

Joana Knobbe (Brasil)

Joana Knobbe é compositora, cantora e multi-instrumentista, além de intérprete e criadora em dança e teatro. Nasceu em São Paulo, hoje reside Recife, onde cursa pós-graduação em Música (PPGM/UFPE). Sua vida artística é marcada pela diversidade e suas fusões (im)possíveis. Apresentou-se em festivais como o Fest Bossa & Jazz 2015, no Festival Natal Tem Música 2015, no Festival Ribeira 360° e nos showcases da MATE – Música, Arte, Tecnologia e Educação em 2017. Nesse mesmo ano foi indicada como “melhor cantora” pelo Troféu Cultura 2017 e realizou duas tours independentes: “Curto Circuito” e a “tourMGRS”. Em 2016 lançou o EP “Bricoleur”, em fevereiro de 2018 lançou dois singles gravados pela LOOP Discos (Porto Alegre/RS). É também produtora e curadora e coordenadora geral do Festival de porte mundial: SONORA – Festival Internacional de Compositoras que acontece desde 2016 em diversas cidades do Brasil e do Mundo.

Miss Garrison (Chile)

Miss Garrison es el proyecto musical de los chilenos Francisca Straube, Rodrigo de la Rivera y Tomás Pablo Rivera. La banda nace el año 2009 con Fran, Tomás y Matías Lopez en guitarra. Lanzan su primer LP titulado “Tire y Empuje” (2010) bajo el Sello Azul, durante ese año Miss Garrison comienza a aparecer en varios medios impresos y digitales. En 2011 Fran y Tomás, deciden reunirse en España con Matías L. para componer su segundo disco y llevar su show a las tierras Europeas. Tocan en varias salas por España, Suiza y Alemania mientras, de forma paralela, su segundo LP comienza a tomar forma.  Actualmente se encuentran promocionando su nuevo disco “Al Sol de Noche” (2016).

Nina Oliveira (Brasil)

Nina Oliveira é cantora, compositora e multi-instrumentista de Guarulhos, São Paulo. Sua música é popular, rica em ritmo e melodia, com a mistura elementos brasileiros e poesia que enaltece a força e o papel da mulher negra. Com primeiro trabalho para ser lançado no início de 2018, a artista já é considerada um fenômeno na internet, ultrapassando 2 milhões de visualizações do seu conteúdo online e vem se destacando com uma das vozes mais fortes da nova geração de compositores e intérpretes no cenário nacional. Com uma performance ao vivo onde mostra o poder de suas composições e sua maturidade como intérprete, Nina tem se apresentado por todo o Brasil já tendo participado de projetos como TED na Sala SP, Festival Sêla Musical e o projeto global Sofar Sounds Brasil, onde seu vídeo foi o mais assistido em 5 anos de projeto.

Andrés Landon (Chile)

La carrera musical de Andrés Landon se puede dividir en tres facetas. La primera como músico de sesión acompañando a solistas y formando parte de bandas de diversos estilos en Santiago (Chile), Nice (Francia) y Ciudad de Mexico con giras por múltiples países. La segunda, como compositor y escritor de canciones, reflejada en mayor parte en su trabajo como solista, con dos discos editados y presentaciones en venues y festivales en México y Chile. La tercera, como arreglista y productor (Carla Morrison, Mariel Mariel, Me Llamo Sebastián, Paz Court, Denise Rosenthall entre otros), esta última faceta premiada en 2012 con un Grammy Latino al mejor álbum de música alternativa por el disco “déjenme llorar” de Carla Morrison y en 2016 con un premio Pulsar al mejor álbum de música urbana por “foto pa ti” de Mariel Mariel.

Analía Garcetti (Argentina)

Analía Garcetti abraza la música desde pequeña, aprendiendo las canciones escuchadas en la familia; forma junto a sus hermanas un grupo vocal, participando de actuaciones en festivales departamentales. Este proyecto toma forma en 1987 con el grupo Vocal Tría, con quien recorre escenarios provinciales y nacionales, entre ellos el Festival Nacional del folclore en Cosquín, año 1988, participando de la Delegación Provincial, y graban “Sueño de Vendimia” cassette de música cuyana. Con un estilo sencillo, y profundo en el decir, de raíz folclórica, su música le abre las puertas a diferentes escenarios. En febrero de 2017 participa del tercer encuentro Dandó, Ruta Dercio Marques, en la ciudad de Uberaba (Minas Gerais – Brasil) y 1° Encuentro internacional.En noviembre, es convocada por el colectivo MUJERTROVA.

Alex Sant’Anna (Brasil)

Apesar de se afirmar no trabalho realizado em dois discos autorais, identificados com a sua assinatura, o cantor e compositor Alex Sant’Anna não é um só. Além de ‘aplausos mudos, vaias amplificadas’ (2004) e ‘Enquanto espera’ (2015), de suma importância na situação da produção musical sergipana em relação à cena independente brasileira. As diversas turnês internacionais bastariam para mensurar o alcance do lirismo direto, sem meias palavras, aqui em questão. Vocacionado para o encontro, Alex já comeu a poeira de muita estrada, ao longo dos últimos vinte anos, período durante o qual nunca se furtou às parcerias propostas no caminho. A música de Alex revela um senso de oportunidade extraordinário e para gente como Alex, toda palavra e acorde, sem mais nem menos, pode de repente virar canção.

Igor de Carvalho (Brasil)

Igor de Carvalho vem da nova safra de cantores e compositores da cena recifense. Em seu trabalho estão letras irreverentes, com uma estética própria, que buscam o equilíbrio entre a reflexão social e sua visão de mundo. Neste aspecto, o artista se destaca ao investir em uma intervenção diferente, utilizando um som singular, cuja interface com o público tem garantido sua participação em palcos cada vez mais seletivos. Fruto de sua inspiração, todas as músicas do seu show são autorais, com o que ele diz ser “uma música que tem o meu jeito e o meu som”.

Curadoria

philosmusical é um projeto com curadoria geral de elaynebione desenho e diagramaçao da casaphilos edição de souzapereira e curadoria especializada de adrianacalcanhotto josuéveloso johannegomezterrero rafaelmunizsens yigosugasti elaynebione com direção de arte ewelinakarpowiak laurelinedelahousse joãovictorfioroti amandacordeiro ritamonteiro e joãoferreira

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Philos Música #1
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Posted by:Jorge Pereira

Jorge Pereira (Recife, 1994). Produtor cultural e agente literário baseado no Rio de Janeiro. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e membro do Oi Kabum! LAB do Oi Futuro.