Para chegar

eu ando por trechos
por decretos de impaciência
por má criação das pernas

uma queda para dançar

Eu sinto por nuvens
por presságios inquietos
por miopia da vida

uma agonia para tentar

eu falo por gritos
por palavras que não dizem
por sentimentos secretos

uma passagem para cair

eu desloco o ar
no movimento inseguro
sinto o corpo mover

um sorriso e posso chegar.


Nádia Paiva (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1985). Graduada em Artes Visuais e estudante de Letras. Trabalha em uma biblioteca de educação infantil. Rabisca palavras e linhas nas horas vagas.

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural e agente literário pernambucano baseado no Rio de Janeiro e São Paulo. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.