O guitarrista e cantautor recifense Fernandes lançou o seu primeiro disco do trabalho solo chamado “ Bonanza ”. O músico de 26 anos embora jovem, traz em seu trabalho uma madura bagagem musical. Fazendo um som que traz uma mistura de timbres, texturas e paisagens sonoras até o groove brazuca influenciado pela tropicália. O disco de estreia de Fernandes, tem produção assinada pelo artista e a coproduzido por  Jr. Tostoi, e conta com 11 músicas autorais om participações especiais.

Bonanza é fruto de um instinto inerente do ser humano, a crença. Processo natural presente nos ciclos de idas, vindas, altos e baixos, transformações, mutações e constante evolução. Onde a busca do imaterial é cada vez mais necessária, o desapego e a desconstrução são sementes diante das tempestades diárias que somos submetidos. Bonanza se faz presente como bússola pra nortear os sentidos, acalentar espíritos, e apaziguar corações.”

No eixo Rio-Recife, conversamos com o artista que nos contou mais acerca do seu processo criativo e da importância da literatura no seu fazer artístico.

Philos: Nos intriga a poética dos artistas, as influências, os livros que nunca deixam de ler, podias nos dizer quem são suas luzes poéticas?

Minhas luzes poéticas estão presentes na minha vida de várias formas. Acredito que todos nós podemos absorver algo de positivo e agregador pra nossa vida com o outro.

Philos: Não há um só criador que não nutra o seu trabalho em algum referencial das artes plásticas: pinturas, exposições, filmes… Porque é necessário nutrir-se da literatura durante o processo criativo?

O que deu norte ao conceito do Bonanza, foi justamente a literatura. A força da palavra, do sentido. De como é possível através da uma palavra conectar pessoas e dar voz a um sentido abstrato e muitas vezes vago que é um sentimento.

Philos: Como você percebe o Brasil diante da literatura e das artes?

Acredito que cada vez mais as pessoas tem se comunicado e estão em busca de experiências mais físicas. A arte tem esse poder de tocar sutilmente as pessoas e transformar nosso redor. Cada vez mais isso é necessário para um sociedade com empatia, onde a diferença pode nos unir e ensinar a ser melhores.

Philos: O que sua arte faz pelo outro e para si mesmo?

Me salva de uma realidade muitas vezes caótica e bela ao mesmo tempo. Provando que a cada dia que passa é possível transformar de forma positiva a vida de outras pessoas mesmo que por um momento. Trazendo afago e esperança numa sociedade que grita pelo afeto.

Philos: O que é necessário ler e ouvir hoje em dia?

Acredito que tudo que te trouxer algo positivo e te estimule a progredir mentalmente é valido. A arte pode contribuir muito dessa forma.

Philos: Muitos criadores não sabem a que se deve a sua capacidade de criar. De onde vem o seu desejo artístico?

Vem de uma necessidade de comunicação. De transbordar de influências e externar isso de alguma forma. A música me permite me conectar com o outro e perceber que são nossas diferenças que nos unem não nossas semelhanças.

 Philos: Qual a obra ou artista que despertou em você o desejo de ser artista?

Busco absorver o que de melhor cada influencia tem pra contribuir com minha formação como pessoa e caráter artístico. Acredito que me atentando a isso posso ampliar meu vocabulário artístico e transitar por vário universos, me permitindo uma pluralidade de referências.

Philos: O que não cabe em um poema? E o que não cabe na música?

 As sutilezas da vida.

Philos: Que pergunta você faria aos nossos leitores?

O que te move como ser humano nessa vida?

Ouça o Bonanza e conheça mais o trabalho do Fernandes:

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural e agente literário pernambucano baseado no Rio de Janeiro e São Paulo. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.