Por meio do olhar de uma criança, o filme conta a história de irmãos albinos.

Com direção de Lívia Perini, “Cor de Pele” traz o olhar lúdico e infantil de Kaun, um menino albino de 11 anos que vive em uma família multirracial na ensolarada Olinda, Pernambuco. Em uma cidade onde a cultura negra e o calor imperam, o filme expõe os conflitos, as limitações e os desafios que a pigmentação da pele é capaz de provocar na vida de uma criança.

Distribuído pela Inquieta, Cinema, Cultura e Comunicação, o filme será exibido durante o Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo, que ocorre de 22 de agosto a 2 de setembro de 2018 e é parte do “MOSTRA BRASIL 10”, programa que promove exibições do documentário em 28 de agosto, às 19h, no Centro Cultural São Paulo, e em 29 de agosto no CINUSP, também às 19h.

”Cor de Pele” ganhou o prêmio de melhor roteiro e direção durante a 11ª edição do Curta Taquary, em Pernambuco e participou de diversos outros festivais nacionais e internacionais como Arizona Internacional Film Festival, Brazil Internacional film festival e Mostra Pajeú de Cinema.

Por se tratar do ponto de vista de um menino de 11 anos, Cor de Pele é um documentário que conta uma história forte com a doçura e leveza de uma criança. O enredo aborda a rotina de Kauan em casa, a família, seus amigos, nas aulas de capoeira, nas ruas e na escola, no qual 90% dos amigos são negros. Os professores de Kaun o consideram muito inteligente, porém a criança tem dificuldades para aprender porque tem a visão limitada pela fotofobia. Na luz do sol, o albino enxerga apenas 20% e a maioria deles precisa de óculos para enxergar em ambientes que não possuem luz muito forte, o que é o caso de Kauan.

Em sua rotina, ele tem que passar protetor solar todos os dias de manhã e de tarde no corpo inteiro, usar boné, óculos e muitas vezes um camisão especial. A mãe prefere que eles sempre fiquem em casa, mas Kauan adora sair durante o dia. Rose sempre foi uma mãe superprotetora e eles relatam que viveram a infância no escuro, já que a mãe não sabia lidar com a condição dos filhos e tinha medo deles se queimarem. De personalidade forte, Kauan é constantemente advertido pela mãe e diz que adoraria ser negro para poder trabalhar no sol.

De acordo com Lívia, a ideia para o filme nasceu a partir do ensaio “À Flor da Pele”, de Alexandre Severo, falecido em 2014. “Me apaixonei pelas fotos. Tenho um fascínio por cores e o Severo apresentou um contraste maravilhoso nas imagens. Fiquei curiosa para saber sobre a história dessa família e descobri que era uma mãe jovem com cinco filhos, em uma condição social delicada, vivendo de maneira muito simples. Eu sabia que tinha uma boa história ali, e quis produzir um filme que apresentasse o dia a dia dessa família, mas com bastante leveza”, disse.

A produtora recifense, Karla Laet, procurada por Lívia, fez um trabalho de busca até encontrar a família e descobrir como viviam. “Me apaixonei pelo tema e pela ideia do filme. Comecei um trabalho de busca até descobrir que moravam no mesmo bairo que eu morava na época. Isso facilitou o processo de reconhecer o dia a dia deles. Todo o trabalho durou cerca de três meses, e consegui fazer uma boa pesquisa local. Lívia percebeu que a história do filme era sobre Kauan e que ele poderia explicar como era a vida de todos, dando o toque de sensibilidade que nós queríamos expressar no filme”.


Lívia Perini (Pernambuco, Brasil). É uma diretora brasileira que atualmente mora em Nova York e dirige o programa “Rainha da Cocada”, veiculado pelo canal GNT. Apesar de grande experiência na área publicitária, com direção de comerciais para HBO Brasil, Nestlé, Microsoft, Visa, entre outros, Lívia dedica parte do seu tempo em projetos pessoais e desenvolvimento de documentários e curtas-metragens.
Em 2010, dirigiu “Entre Los Muros” produção filmada em Cuba sobre os jovens locais. Em 2014 foi a vez de “Cor de Pele”, documentário que aborda o universo de Kauan, um menino albino de 11 anos e filho de pais negros, que conta como é viver na ensolarada cidade de Olinda, Pernambuco.

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural e agente literário pernambucano baseado no Rio de Janeiro e São Paulo. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.