DEDOS FINOS E MÃOS TRANSPARENTES

Um sopro de ar sutil e leve por entre as nuvens
estreita o destino,

Luz que ilumina os sons.

Eu, além de ninguém sei quem tu és.

Vento forte, dedos finos, mãos transparentes.


É só poesia o que sai dos meus dedos,

rascunho dos medos no deserto em branco.

É só espanto, o que rabisco na folha do canto.

 

A QUEM INTERESSAR POSSA

Por entre lábios de nome todo amor
pinto palavras que se afiguram no incerto

como labirintos que deságuam no deserto
e lâminas que assassinam o sempre certo.

O infinito é traçado a dedo e tinta
como borboletas bailando sob nuvens

e beija-flores chamando todo amor.

Ergo no peito a história de uma chama
como o erguer de uma estátua que proclama

cada passo de um amor que arde,
queima, estraçalha, mas não ama!


Carlos Cardoso (Rio de Janeiro, 1973). Poeta e engenheiro. Sua estreia na literatura ocorreu em 2004, com o livro de poemas Sol Descalço (Editora 7Letras). Em 2005, publicou Dedos Finos e Mãos Transparentes (Editora 7Letras), recebendo várias críticas elogiosas. No seu mais recente livro de poemas, Na Pureza do Sacrilégio (Ateliê Editorial, 2017), em sua apresentação, o crítico Silviano Santiago, o aproxima de grandes nomes da literatura, como Octavio Paz e Fernando Pessoa. Carlos Cardoso é membro do conselho editorial da Revista Philos e artista convidado do painel dossiê do II Festival Internacional de Artes Gráficas de São Paulo, o FINART 2018.

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural e agente literário pernambucano baseado no Rio de Janeiro e São Paulo. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.