O RESTO

Pesar o feito do suor desassossego
Tempo que passo carregando a pena leve
Desperto certo do desperdício
E não há mundo que aceite a minha sobra

Insatisfeito reconheço a ingratidão
Desencontrei e me importa onde seguir
Fugi do resto e entretanto eu era ali
Pesava justo o que a venda me lucrava

Antes o leve era o norte e eu remava
Agora a força necessita corpulência

Eu quero espaço que aceite o ensejo
Vontade nobre de perder todo o meu tempo
Se sobra hora, estala móvel no silêncio
Que feche o cerco e eu me junte além de mim

…de Portugal, William Manfroi nos escreve os seus versos atlânticos.

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural e agente literário pernambucano baseado no Rio de Janeiro e São Paulo. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.