quem vai, quem vem

Lá em Trapuá
Estrada de Nazaré
Um pouquinho adiantado de Tracunhaém
Quem vai quem vem
Vai olhar para as crianças
Cruzamento tão estranho
Caniço com pé de cana
Corra e não atrapalhe
Ou te dão logo sumiço.

Casebres ‘tão caindo
Na porta vejo uma muié
Saco vazio mas que se tem de pé
Nas calçadas sonolentos
No cochilo e cusparada
Quem vai quem vem
É o avô, a bisavó
Na distância é como gente
É carne, é osso
Feito do mesmo barro
Me seguro e não me entalo
No embalo da embolada
Se é branco se é preto
De perto é amarelo
Quem vai, quem vem.

Chuva feminina
Num sertão bem masculino
Voa no ar
A profissão é liberá
Me refiro ao urubu
Nas brenhas dessa chapada
Onde o sol é um fuzil
Pipoco é um estrondo
Se você não me acredita
Acaba levando um tombo
No raso da catarina
O que vejo é nossa sina
Enxergo a caatinga
Branco hospital.


Cátia de França (Paraíba, 1947). Uma das mais tradicionais cantoras e compositoras do Brasil, paraibana, retrata a vida simples e as vivências da cultura nordestina em suas composições.

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.