Almério é uma força que caminha entre a música e a poesia e que ainda está reverberando em todas as pessoas que assistiram ao seu show na noite de ontem (15) na Praça XV, no Rio de Janeiro.

Convidado do festival Oi Conexidade, o cantor pernambucano vencedor do Prêmio da Música Brasileira 2018, levou ao palco todo o seu vigor em uma apresentação repleta de mensagens de amor e esperança. Meses antes, assistimos ao show do artista durante a Rio2C com a nova cena musical pernambucana. Ontem, a estrela que subiu ao palco do Oi Conexidade mostrou os motivos pelo qual fora agraciado com esse prêmio: força, energia e muita vitalidade para passar uma mensagem sobre cultura, conexão e latinidade.

Começo perguntando sobre a importância desse festival para o artista e acerca da experiência de cantar ao lado de nomes como Zélia Duncan, Maria Gadu e Larissa Luz:

Eu fui muito influenciado pelos anos 90 e estar ao lado de Zélia Duncan foi muito especial para mim. E poder dizer as coisas para as pessoas. As pessoas precisam ocupar as praças, as ruas, a gente precisa gritar amor e liberdade sempre. Trazer o meu som que vem lá de Pernambuco é também se conectar com esse amor. É ter respeito pelos nossos vários sotaques, pelas nossas várias culturas. Todo mundo tem que se respeitar e passar amor.

Aqui no Rio, o artista gravou o Por Acaso no Rival, com outros nomes da cena pernambucana e falamos sobre a poesia, a arte e a necessidade da construção social na coletividade:

A poesia tem me ajudado a viver. A vida para mim é uma grande poesia. Ela me ajuda a me conectar e dialogar com os meus amigos de trabalho e fazer disso uma grande voz. Nós todos fazemos uma grande voz. É chato fazer as coisas sozinho, é bom ir com todo mundo junto. E aprender uns com os outros é um grande barato. E está havendo essa movimentação em Recife, isso está sendo notado, isso está sendo ouvido. Essa movimentação tem chegado cada vez mais aqui no Sudeste.

Em um dos momentos do show, o cantor entoa um grito para o mestre Luiz Gonzaga. Nos bastidores, pergunto sobre a força desse homem sobre a cultura nordestina, e Almério reflete as lutas que atravessam as gerações:

As raízes das árvores são o cérebro das árvores. Luiz Gonzaga é esse cérebro-raiz que nos guia muito fortemente: tudo que ele diz, tudo que ele fez, tudo que ele atravessou por nós é muito forte. E fala muito alto ao meu coração. Eu sou um homem nordestino, eu sou um homem gay e nordestino, a mesma luta que ele teve eu também estou tendo, mas em uma outra geração. Estou defendendo os meus diretos como ser humano, é a mesma luta. Enquanto ele lutou pelo Nordeste, eu também estou lutando pelo meu Nordeste, pelo meu sotaque e pelo meu gênero, pela minha forma de viver, é uma luta também. Atravessar tudo isso lutando com a minha música, com a força da minha poesia.

Almério também nos conta o que é preciso para seguir democratizando a democracia, a relação de educação pela arte, a necessidade do diálogo, do olho no olho; e finaliza com uma pergunta aos nossos ouvintes: O que é que vocês estão fazendo da vida?

Sem mais delongas, ouça um trecho da entrevista com Almério no player abaixo [1]:

Sobre o Conexidade

O Conexidade surge com o propósito de promover conexões que potencializam o desenvolvimento pessoal e coletivo por meio de iniciativas inovadoras. Em um só local – na Praça XV -, durante o final de semana, estará reunida a pluralidade da produção cultural do Rio de Janeiro e de festivais apoiados pelo Oi Futuro espalhados pelo Brasil. Além do trabalho dos residentes do Transmedia Lab e de oficinas com alguns desses artistas, o Oi Futuro se faz presente na ocupação com a apresentação de games e curtas do NAVE e com intervenções da Oi Kabum! Lab (grupo em que a Philos apoiou ao longo desse ano com cursos de formação em artes e intervenção urbana). Antes de chegar à Praça XV, o Conexidade promoveu nove encontros em diferentes locais da cidade, construindo uma rede de conexões com trocas artísticas e de conhecimento. O resultado é a união de música, esporte e artes visuais nessa grande ocupação urbana.


[1] a entrevista na íntegra será publicada em nosso podcast em janeiro, no especial Philos de Verão. Acompanhe o trabalho do artistas nas redes sociais do Instagram e Facebook.