A paixão é como um abalo sísmico no corpo e na alma humana. Talvez seja o único sentimento que compreenda os extremos opostos da emoção, o auge do amor e da dor, do sagrado e do profano. O apaixonado está profundamente conectado com o seu corpo, com seu desejo, e ao mesmo tempo ligado a sublime esfera da imaginação e da utopia. Está inevitavelmente dedicado ao outro. Esse aspecto contém um altruísmo necessário também ao planeta, só apaixonados se entregam a uma causa. Aqui trabalhamos a paixão em seu sentido amplo: uma ode ao amor carnal e um mote para o amor pela vida e pelo planeta. Paixão Mordente é também um grito de alerta.

É no encontro de nossos projetos de vida e visões de mundo que esse projeto se dá. Somos duas mulheres apaixonadas pela terra e buscamos em nosso trabalho artístico possibilidades de se extrair responsavelmente da natureza a plenitude da sua beleza, vibração e cor. Enxergamos a urgência de reinventarmos nossa existência mirando na ancestralidade. Lidamos aqui com artesanias milenares como o tingimento natural, o bordado e a própria poesia e afirmamos o fazer coletivo e a troca de saberes como ferramenta potente para uma transformação positiva da sociedade.

Num paralelo com a velha conhecida paixão ardente, pegamos emprestado do vocabulário do tingimento natural a palavra “mordente”, essencial para o processo, pois é a substância química que fixa os pigmentos e mantém a durabilidade da cor. Aqui a paixão é mordente: fixa, morde e deixa marcas positivas. Essa fixação apaixonada é obviamente vermelha. Vermelho de perigo, de socorro, de vida e de morte. Vermelho de amor.

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural pernambucano baseado no Rio de Janeiro. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.