O ser feminino desempenha diversos papéis sociais. Qualquer atitude que infrinja os padrões morais é condenada e assim mulheres são encarceradas e invisibilizadas. Recriminadas e desgarradas da sociedade, desconfiguradas à condição social e moral. Tornam-se vítimas do preconceito e estigmatização, sendo vistas como pessoas incapazes de mudar.

Travam uma batalha com a justiça tendo como consequência o estigma do crime e sua liberdade cerceada. A prisão é um ambiente marcado pelo medo, descaso, hostilidade e violência. A mulher presa vivencia dentro do cárcere uma experiência de revitimização, pois no espaço são intensificadas as marcas da desigualdade de gênero e social.

No universo do cárcere, as grades representam as inseguranças. Um precário acompanhamento da população feminina que habita os presídios do Brasil impossibilita muitas vezes o diagnóstico dos problemas a serem combatidos e ainda as estratégias de intervenções mais adequadas no processo de ressocialização e de visibilidade das reeducandas.

As Ovelhas são resilientes ao confinamento, às saudades, às angústias, aos rompimentos. São mulheres que buscam reconstruir suas vidas, sua dignidade e que sonham o tempo inteiro com a liberdade.


Priscila Urpia é jornalista, escritora, fotógrafa, produtora, curadora e cineclubista. Na Comunicação é CEO da Bem Dita Pauta, trabalha com assessoria de imprensa voltada para os movimentos sindicais e sociais, festivais, mostras de cinema e diversos. No audiovisual atua na curadoria e júris de festivais e mostras audiovisuais, além de produções de projetos diversos. É curadora audiovisual do CinePhilos e do Festival Internacional de Artes Gráficas de São Paulo – Finart. Na fotografia dedica-se ao recorte documental voltado para as relações sociais e curadorias. Atualmente trabalha com os projetos Ovelhas; e Mães Ovelhas, que retratam o universo de mulheres encarceradas da Colônia Penal Feminina do Recife (Bom Pastor) e em seu primeiro livro, Relatos de Ovelhas. É presidente da Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos da Imprensa de Pernambuco (ARFOC – PE), integra o coletivo #CineRuaPE junto ao Cineclube CineRua, a Federação Pernambucana de Cineclubes (FEPEC), a diretoria colegiada da Associação Brasileira de Documentaristas de Pernambuco / Associação Pernambucana de Cineastas (ABD/APECI), o Conselho Consultivo do Audiovisual de Pernambuco e a Equipe de Comunicação Sindical (ECOS).

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.