desconstrutivismo

o voto foi impresso
na urna funerária,
réquiem ao Sete Flechas.
o estandarte vermelho
aferroou o simbolismo,
confundiu-se o massacre
dos povos originários
com a esfregação da ignorância
em bramânicos pharmacos.
a ideia enlameada
mil vezes em mentira
se fez inqüestionável
usucapião.
os encantados não podem
ser aprisionados
no pântano dos latifundiários.
a pallida barganha
do livre-arbítrio por pratarias
refletiu a transposição
do êxodo silvestre,
punição até que
o discurso iracundo
se tornasse beatificado.
boticas substituíram
o cipó, as folhas e as raízes
que foram incendiadas
por doutrinas
das anomalias caucasianas.
o apocalipse
chegou em caravelas
da sistematização litúrgica.


Bruno Bossolan (São Paulo, 1988). Autor de “N(ó)stálgico” e “Barbáriderna“, é ativista cultural e curador pedagógico do ponto de cultura Casa Rosa.

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.