Tatuagens

Onde antes eu via jardim florido
repleto de flores já desabrochadas
hoje nada há além de gemidos
daquelas pétalas que foram queimadas

Talvez não seja gemido o que escuto
pois fumaça espessa turva audição
se trata de queimada, também de luto
por demais triste para o meu coração

Já que não mais adianta querer chorar
já que não mais cabe eu me desesperar
pois aquelas flores jamais irão voltar

A vida é torpe, ninguém disse que não
são somente flores, diria um pagão
mas são tatuagens mortas num corpo são

Toda a verdade

Quando meus olhos ponho ambos a fechar
ainda assim consigo ao fundo ver
pois com certeza reside noutro lugar
o divino dom de se poder aprender

O saber é um experimentar
com todos os sentimentos a arder
queimando num grande amalgamar
toda experiência do ser

O que se vai é vapor
sem vã utilidade
o que fica tem valor

Toda verdade
se define por 
serenidade


Eduardo Maciel é fotógrafo, poeta sonetista e cantor. Acadêmico Correspondente da Academia Internacional de Letras, Artes e Ciência. Autor dos livros Sonetato e Sonetimagem, também foi vencedor do concurso literário Jovem Embaixador, e co-autor de 2 livros através de concurso promovido pela UNESCO.

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Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.