«Guido» Cavalcanti (1250-1300) foi poeta e amigo íntimo de Dante Alighieri. Foi citado por este em suas obras “Rimas“, “A Divina Comédia” (no Inferno) e no ensaio “De vulgari eloquentia” (A vulgar eloquência). Em Rimas, Dante propõe uma idílica viagem de amor entre eles, o amigo Lapo e suas esposas. A resposta ao poema vem no soneto XXXIII do livro “Sonnets…de Cavalcanti“, onde Guido afirma que não mais estava apaixonado por sua esposa, e que por isso era indigno de acompanhá-los na incursão.

De acordo com o professor K. K. Ruthven em “A Guide to Ezra Pound’s Personae“, (Um guia da Persona de Ezra Pound) o poema “Guido invites you thus” (Guido te convida assim), de Pound, é uma ‘resposta a uma resposta’ de Guido para Dante reinterpretada por Ezra em The Sonnets and Ballads of Guido Cavalcanti (Os Sonetos e Baladas de Guido Cavalcanti), publicada em 1912. No poema, Pound sugere que Guido refuta o convite de Dante por estar, na verdade, muito apaixonado por sua esposa. Aqui, apresentamos as traduções ao português e espanhol do poema “Guido invites you thus”, de Ezra Pound, com curadoria de Juan Arabia.

GUIDO INVITES YOU THUS

“Lappo I leave behind and Dante too,
Lo, I would sail the seas with thee alone!
Talk me no love talk, no bought-cheap fiddl’ry,
Mine is the ship and thine the merchandise,
All the blind earth knows not th’ emprise
Whereto thou calledst and whereto I call.

Lo, I have seen thee bound about with dreams,
Lo, I have known thy heart and its desire;
Life, all of it, my sea, and all men’s streams
Are fused in it as flames of an altar fire!

Lo, thou hast voyaged not! The ship is mine.”

GUIDO TE INVITA ASÍ

“Dejo atrás a Lappo y a Dante,
¡Me gustaría recorrer los mares solo contigo!
No me hables de amor, ni de violines baratos,
Mío es el barco y tuya la mercancía,
La ciega tierra desconoce la empresa
Que tú reclamas y yo reclamo.

Mira, te he visto atada por sueños,
Mira, he conocido tu corazón y su deseo;
¡La vida, entera, mi mar y todas las corrientes de los hombres
Se funden en él como llamas de fuego de un altar!

¡Mira, tú no has navegado! El barco es mío.”

GUIDO TE CONVIDA ASSIM

“Deixo para trás Lappo e Dante,
Gostaria de percorrer os mares somente contigo!
Não me fales de amor, nem de violinos baratos,
Minha é a embarcação e tua é a mercadoria,
A cega terra desconhece a empreitada
Que tu reclamas e eu reclamo.

Olha, te vi atada por sonhos,
Olha, conheci teu coração e seu desejo;
A vida, inteira, meu mar e todas as correntes dos homens
Se fundem nele como chamas do fogo de um altar!

Olha, tu não tens navegado! O barco é meu.”


Extraído de Ezra Pound, Exultations, Elkin Mathews, London, 1909. Traducción de Juan Arabia para Exultations, Ezra Pound, colección Abracadabra | Buenos Aires Poetry, 2019. Traducción al portugués de Jorge Pereira para Revista Philos, 2020. Extraído de Ezra Pound, Exultações, Elkin Mathews, Londres, 1909. Tradução ao espanhol de Juan Arabia para Exultations, Ezra Pound, coleção Abracadabra | Buenos Aires Poetry, 2019. Tradução ao português de Jorge Pereira para a Revista Philos, 2020.

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.