Apresentamos um poema inédito da poeta e jornalista Miyó Vestrini, escrito originalmente em francês. A versão em espanhol foi traduzida por Luis Miguel Isava e Graciela Yáñez Vicentini, a versão em português é uma tradução de Lucas Fonseca. Esta mostra faz parte dos estudos da editora Faride Mereb.

No hay cosa en el mundo lejos del miedo,
ausente de la soledad.
Apenas un gesto para hacer daño.
Una noche para haber muerto.
Pues aun si la muerte es un símbolo armonioso de sequía,
heme aquí hundida en mi rostro
sucio, sucio,
demasiado sucio para que alguien lo recuerde.
¿Mal? Está bien. El dolor separado del mundo.
El mundo desviado en un mismo sentido.
Me sentí mal y no dije nada.
Y tu risa se extiende hacia mí como el moco y las lágrimas.
En el fondo, las cosas son muy confusas para no
llamarlas sueños.
El agua. El mar. Partir a la deriva cerca de las algas. De la oscuridad.
Sin embargo, es dulce la arena. Es caliente.
«Nunca inclinarse fuera de la ventana. Sobre todo si la ventana está muy abierta».
Abierta sobre todos los paisajes del mundo con los que uno corre
paralelamente sin jamás detenerse en ellos.

Não há nada no mundo longe do medo,
ausente da solidão.
Apenas um gesto para machucar.
Uma noite para ter morrido.
Pois mesmo que a morte seja um símbolo harmonioso da seca,
aqui estou afundada em meu rosto
sujo, sujo,
sujo demais para que alguém se lembre dele.
Mal? Está bem. A dor separada do mundo
O mundo desviado em um mesmo sentido.
Me senti mal e não disse nada.
E teu riso se estende a mim como o muco e as lágrimas
No fundo, as coisas são muito confusas para não chamá-las sonhos.
A água. O mar. Partir à deriva perto das algas. Da escuridão.
Porém, é doce a areia. Morna.
«Nunca se incline para fora da janela. Sobretudo se a janela estiver muito aberta».
Aberta sobre todas as paisagens do mundo com o qual se corre paralelamente sem jamais parar por elas.

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.