CÂNDVA ARBORII AVEAU OCHI

Cândva arborii aveau ochi,
Pot să jur,
Ştiu sigur
Că vedeam când eram arbore,
Îmi amintesc că mă mirau
Ciudatele aripi ale păsărilor
Care-mi treceau pe dinainte,
Dar dacă păsările bănuiau
Ochii mei,
Asta nu îmi mai aduc aminte.
Caut zadarnic ochii arborilor acum.
Poate nu-i văd
Pentru că arbore nu mai sunt,
Sau poate-au coborât pe rădăcini
În pământ,
Sau poate,
Cine ştie,
Mi s-a părut numai mie
Şi arborii sunt orbi dintru-nceput…
Dar atunci de ce
Când trec de ei aproape
Simt cum
Mă urmăresc cu privirile,
Într-un fel cunoscut,
De ce, când foşnesc şi clipesc
Din miile lor de pleoape,
Îmi vine să strig –
Ce-aţi văzut?…

QUANDO AS ÁRVORES TINHAM OLHOS

Quando as árvores tinham olhos,
Posso jurar,
E isso eu sei ao certo,
Pois vi quando eu era uma árvore,
Lembro, nos maravilhávamos
Com as estranhas asas dos pássaros
E a velocidade com que as batiam adiante,
Mas se os pássaros desconfiassem
Os meus olhos,
Não se lembrariam mais disso.
Mas agora, em vão procuro os olhos das árvores.
Talvez eu não os veja
Porque as árvores não são muitas,
Ou talvez devem ter escorregado ao longo das raízes
Na terra,
Ou talvez,
Quiçá,
Fosse somente o meu pensamento
e as árvores fossem cegas desde sempre…
Mas em seguida porque
Quando me aproximo
Sinto que
Me perseguem vigilantes,
De uma forma que conheço,
porque, quando sussurram e espreitam
Com as suas múltiplas pálpebras,
Tenho vontade de perguntá-las –
O que estão olhando?…


ANA BLANDIANA é uma das maiores poetas romenas, traduzida em muitas línguas. Nasceu em 1942 em Timișoara, cidade histórica que no ano de 1989 deu origem à revolta que pôs fim ao poder de Ceaușescu. Estudou Filologia na Universidade de Cluj.

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.