Wir sin die Treibenden
(In: Die Sonette an Orpheus, Erster Teil XXII)

 

Os apressados
somos
mesmo sem querermos

Corremos empurrados
como água que se despenha
duma alta cascata

Caindo
a água paira um instante no ar
abrindo o prisma
de um breve arco-íris
e depois prossegue
esquecida do vôo

Para quê o vôo
a queda
a flor?

Onde o repouso?

Há uma benção divina
no esquecimento

O poema Os apressados faz parte do livro Rilkeana (1999) da escritora portuguesa Ana Hatherly. A edição de março-abril da Revista Philos trará um poemário especial da escritora acompanhado de trechos inéditos de uma entrevista cedida para Ana Marques Gastão em 2008. Ana Hatherly  nasceu no Porto em 1929, foi poeta, artista plástica, cineasta, ensaísta e professora da Universidade NOVA de Lisboa, onde desenvolveu seus estudos acerca do barroco português. Seu nome marca a história da literatura de Portugal por ter liderado, juntamente com o poeta Melo e Castro o movimento da Poesia Experimental Portuguesa. Um pequeno ensaio sobre a obra visual da artista também compõe a edição.

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.