Os povos originários integram um dos coletivos populacionais mais desfavorecidos das Américas, como resultado de complexos processos históricos e sociais que se iniciaram desde séculos atrás e foram estabelecendo práticas genocidas, discriminatórias, exploratórias e escravistas, até chegarem em um despojo sistemático de seus recursos e territórios, com graves consequências para suas vivências e práticas sociais.

Um dos maiores desafios que a América Latina enfrenta é a inclusão dos direitos desses povos nas prioridades das políticas públicas de seus países. Pese os avanços das últimas duas décadas, existe uma grande distância entre os direitos reconhecidos e a sua efetiva realização. E reconhecendo esta realidade, a Philos apresenta uma edição especial que debate a Implementação dos Direitos dos Povos Indígenas, adotado em 2018 pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento dos Povos Indígenas na América Latina e Caribe — FILAC.

Participam dessa edição a ex-Ministra do Meio Ambiente do Brasil, a professora Marina Silva, que nos escreve acerca do legado socioambiental de Chico Mendes; o escritor Daniel Munduruku, sobre a literatura e cosmovisões indígenas, num artigo acompanhado de fotografias de Eduardo Viveiros de Castro. Christian Braga aborda a fotografia documental como elemento de denúncia e articulação dos povos indígenas. Apresentamos ainda os registros inéditos da Primeira Marcha de Mulheres Amazônicas pela Vida, feitos no Equador, em 2013. O crítico Moacir dos Anjos nos conta uma história da arte indígena nas Américas e a psicanalista Ninfa Parreiras esmiúça a obra do artista makuxi, Jaider Esbell. O cinema feito por mulheres indígenas é pauta do artigo de Sophia Pinheiro, artista que assina a capa dessa edição.

A luta emancipatória das mulheres e o direito ao território é também narrada pelas lentes de Maria Bitarello, no especial “Mulheres de ocupação”. Entre uma caçadora urbana, uma cyborgue dos novos anos 20 e uma Beauvoir dos guetos, Cristina Judar nos fala sobre lesbianidades. Enquanto Glaucea Helena debate a diáspora africana e os racismos. Da Venezuela, a socióloga Esther Pineda G. fala sobre os inícios da poesia feminista latinoamericana, no especial “Repudiadas e aclamadas”. As pautas dos feminismos plurais são também debatidas sob a ótica do sistema penitenciário brasileiro, com o especial “Ovelhas”, de Priscila Urpia, sobre as mulheres no cárcere em Pernambuco.

Também de Recife, a Revista Propágulo estreia sua coluna mensal sobre artes visuais na Philos, com destaque para a obra de Luiza Branco. E a crítica de arte, Bianca Dias, nos escreve sobre o amor e a invenção na arte. Na seção Latinidades, um especial com textos raros e inéditos de Alejandra Pizarnik. E em Lusofonias, Itamar Vieira Júnior, Susana Fuentes, Pedro Belo Clara e Luz Bárbara apresentam suas mostras poéticas.

Com curadoria de Martín Tonalmeyotl, o especial Guaraní, apresenta poemas de grandes nomes da literatura de línguas indígenas da América Central: Nadia López García, Hubert Matiúwàa, Irma Pineda e Humberto Ak-abal.

Os povos indígenas seguem sendo afetados pela injustiça histórica como a despossessão de seus territórios, a obrigatoriedade da assimilação cultural, econômica e política, assim como a repressão e criminalização de defensoras e defensores de seus direitos, perseguições e assassinatos, para além da não equidade de acesso à justiça. Ainda carecemos da visibilidade e do fortalecimento da participação plena de indígenas nas políticas públicas; de mecanismos permanentes de participação, diálogo e consulta entre os anseios dessas comunidades e o Estado; da implementação de políticas públicas para expansão de seus direitos, com enfoque intercultural, intergeracional e de igualdade de gênero; e o fomento e liberdade à articulação social, política e econômica desses povos.


Philos #5 Ilustrações de Sophia Pinheiro
Philos #5
Ilustração de Sophia Pinheiro

A edição estará disponível na íntegra aqui no site da Revista Philos no próximo dia 12 de junho. Até lá, siga a Philos nas redes sociais do facebook, instagram e twitter. Você também pode assinar e receber a edição impressa e o suplemento cultural Philos 20/20 na sua casa. Assine agora mesmo e tenha em mãos o melhor da literatura neolatina contemporânea!

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Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.