Hilo interior, Carolina Oltra (Chile)

Os jiahuis são um povo indígena tupi-guarani que ocupa o rio Madeira, no sul do estado do Amazonas. Suas cosmovisões, identidades e saberes permearam os trabalhos da artista visual e fotógrafa chilena, Carolina Oltra, feitos a partir de suas experiências em uma residência artística no médio Madeira. «Como estamos conectados com a terra?», foi a pergunta que a direcionou para criar Hilo interior (Fio interior), obra que revela a presença dos jiahuis e sua conexão com as raízes das árvores.

“Toda a Mapu é uma só alma, somos parte dela. Não podem morrer as nossas almas. Podem mudar, mas não se apagar. Somos uma só alma.” Kuruuinka, mapuche chilena.

Hilo interior reflete sobre os espaços e redes que são estabelecidas naturalmente e que, muitas vezes, nos passam desapercebidas, como as relações e conexões das raízes das árvores da floresta. O fio vermelho replica o entrelaçado das raízes subterrâneas, representa a presença dos jiahuis, um povo que tem um futuro cada vez mais incerto na Amazônia.

As fotografias usadas para a montagem da obra foram feitas em um igarapé (ygara —canoa talhada no tronco de uma árvore, —o mesmo que caminho, percurso) e as medições do espaço foram realizadas com o mesmo fio vermelho usado para o bordado. A obra foi exposta no projeto Terres Indigènes, uma exposição coletiva com curadoria de Claudia Campos, realizada em abril de 2019 em Beynes, na França.

Hilo interior, experiencias en tierra ancestral jiahui, Amazonia

Cómo estamos conectados a través de la tierra, y los jiahui revelan su presencia? A traves de esto surge la necesidad de identificar las raices ancentrales  y producir nuevos contenidos de su relacion con la naturaleza. Este trabajo consiste en una reflexión sobre la medición del entorno y su percepción, tratando de resaltar las redes continuas que se encuentran bajo tierra. Las raíces y su manifestación a través del hilo rojo. El hilo replica el entrelazado de las raíces subterráneas. El Hilo representa la presencia de los jiahui, habitantes que tienen un futuro cada vez más incierto en la Amazonía y, por lo tanto, en toda la Tierra. Estas fotografias fueron capturadas en un igarapé (que en portugués significa corriente, y que proviene de igara, que significa embarcación excavada en el tronco de un árbol, y , que significa camino) el 2018 durante una inmersion en selva amazonica , e intervenida en Chile con un bordado el 2019.

“Toda la Mapu es una sola alma, somos parte de ella. No podrían morir nuestras almas. Cambiar pueden, pero no apagarse. Una alma solo somos.” Kuruuinka, mapuche de Chile.

Fil intérieur , expériences sur la terre ancestrale jiahui, Amazonie

Comment sommes-nous connectés à travers la terre et les jiahui révèlent-ils leur présence? De ce fait, il est nécessaire d’identifier les racines antérieures et de produire de nouveaux contenus de leurs relations avec la nature. Ce travail consiste en une réflexion sur la mesure de l’environnement et de sa perception, en essayant de mettre en évidence les réseaux continus souterrains. Les racines et leur manifestation à travers le fil rouge. Le fil reproduit l’entrelacement des racines souterraines. El Hilo représente la présence des jiahui, des habitants qui ont un avenir de plus en plus incertain en Amazonie et, par conséquent, sur toute la Terre. Ces photographies ont été capturées dans un igarapé (qui signifie en portugais courant, et qui provient d’igara, ce qui signifie un bateau creusé dans le tronc d’un arbre, et , qui signifie route), en 2018 lors d’une plongée à Selva amazonica. Chili avec une broderie 2019.

“Tout le Mapu est une âme, nous en faisons partie. Nos âmes ne pourraient pas mourir. Le changement peut, mais pas désactiver. Une âme que nous sommes seulement”. Kuruuinka, Chili mapuche.

Carolina Oltra Thennet (Rancagua, Chile, 1968)

É artista visual  e realizadora fotográfica. Licenciada em Artes com foco em pintura pela Pontifícia Universidade Católica do Chile (1996), com estudos de Arquitetura e História da Arte pela Universidade de Valparaíso (UCLA) de los Ángeles, e fotógrafa pelo Venice College (EE.UU). Suas obras já fizeram parte de mostras individuais e coletivas no Chile, Colômbia, Peru, México, Brasil, Espanha e Estados Unidos. Participou de feiras de arte contemporânea como a CHACO Santiago (Chile), ArtChicó Bogotá (Colombia), Tinta Fresca, PARTE, FilaAC, Simposio SP ESTAMPA e intervenções urbanas em São Paulo, como parte do Festival Internacional de Artes Gráficas – FINART (Brasil). Suas obras estão em exposições no Museo de Arte Contemporáneo de Bogotá, e já estiveram na XX Bienal de Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) e encontram-se na Galería Enlace, em Lima (Peru). Trabalhou em ações educativos e residências artísticas no Centro Cultural Factoría Santa Rosa de Santiago do Chile; no Acerco Pérez Sola, em São Paulo; na Patagônia chilena, em Puerto Tranquilo. Os trabalhos dessa mostra foram feitos durante a residência LabVerde na Adolpho Ducke Reserve Del Amazonas, em Manaus. Carolina se dedica a intervenção espacial, registros fotográficos e técnicas mistas. Suas coleções podem ser encontradas na Embaixada do Chile na Argentina; no MAC Bogotá, na Colômbia; na Universidade de Santiago e na Universidade Metropolitana de Ciências da Educação, no Chile e; na Coleção do Colégio de Arquitetos de Nuevo León, em Monterrey, no México.

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.