No neolatina da semana apresentamos um poema de Carolina Muait, ume artiste de palavra e imagem interessade nas intersecções entre corpo, performance e representação. Carolina faz parte da direção criativa do Brecha, núcleo de pesquisa continuada em artes, pelo qual escreve, dirige e atua desde 2017. No verão da Philos, publicará o livro de poesias “Esta foi a última vez que escrevi sobre você”, fechando um ciclo de trabalhos iniciado dois anos antes, que incluem a performance “Bucha e Facão”, o episódio “Como se finalmente” (Língua) e uma produção de séries fotográficas. Pesquisa gênero e cultura queer desde 2015, entendendo-se como pessoa não binária aos 30 anos de idade.

que essa ponte se parta
na minha vez
um tiro perdido
me rasgue a tez
o coração
em silêncio no peito
eu desejei
a morte sem culpa
tantas vezes que
me tornei
plutão em escorpião
rainha do hades
caronte de estige
profeta da dor
ouse tentar
me falar de amor
e lhe direi que a mesma boca
que beija
mastiga

A ilustração que acompanha o poema é do artista plástico, poeta e fotógrafo, Felipe Stefani (São Paulo, 1975). Felipe vive e trabalha no Rio de Janeiro, já ilustrou o cartaz do filme Deserto, do diretor Guilherme Weber, e diversos livros de poetas e escritores, como Marco Catalão, Wladimir Saldanha, Emmanuel Santiago, André Setti e a prêmio Nobel Herta Müller [leia um conto inédito da Herta na Philos]. Como poeta, publicou O corpo possível pelos nossos colaboradores do Coletivo Dulcinéia Catadora (2008), e Verso para outro sentido (Escrituras Editora, 2010). Dá aulas de desenho livre.

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.