O livro “MONTAÇÃO” é uma coleção de imagens de quatro fotógrafos sobre a cena de concursos e espetáculos de drag queens, dançarines burlesques e de vogue e praticantes de bdsm do Rio de Janeiro e Salvador. Nas imagens criadas por Maíra Barillo, Betina Polaroid, Larissa Queiroz e Lucas Gibson os artistas da montação performam, atuam, se divertem em festas, boates, teatros, cabarés e camarins, enquanto se montam.

Os fotógrafos, de diversas formações e pontos de vista, se dedicaram nos últimos anos a criar imagens sobre a montação e suas afetações em relação a essa prática. Betina Polaroid é drag queen e por muitas vezes fotografa montada. Maíra Barillo experimenta também com a montação em seu próprio corpo. As imagens juntas criam uma narrativa contada por quatro vozes, com todas as nuances que esses diferentes olhares veem nesse movimento. Afinal, fotógrafo e fotografia afetam e são afetados por cada um desses artistas que as câmeras encontram. 

Para contextualizar as imagens, Maria Lucas, também conhecida como Ma. Ma. Horn, escreveu um texto que abre a edição, falando da cena fotografada e sua experiência como parte dela. E Samile Cunha, drag queen e professora universitária, nos conta sobre o que vê nas imagens em relação às referências teóricas e de montação que vivencia. 

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Montação”, apesar de ser um termo mutante, cada hora ganhando e perdendo significados, é sobre o ato de usar roupas, acessórios e maquiagens para construir signos no próprio corpo. É uma experimentação visual e performativa sobre a quebra com as expectativas do que comumente se entende como a forma certa de se vestir, gesticular, performar. 

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MONTAÇÃO (PRÉ-VENDA)
um livro de fotografias com organização de Maira Barillo
casa philos (verão de 2021)
120 páginas

Cada fotografia é uma evidência. Esse livro mostra momentos que aconteceram, que foram vividos e performados. A cena que se estruturou, impulsionada pela popularização do reality show estadunidense “RuPaul’s Drag Race”, foi forte e presente, mas já não existe mais. Por consequência da pandemia, muitos dos lugares que frequentávamos foram fechados, festas não acontecem mais. Esse livro, muito rapidamente, ganha valor histórico.

E é uma história importante de ser contada: ao longo da construção da história que aprendemos, as pessoas e movimentos LGBTQIA+s são constantemente ignorados e apagados. E a montação, arte praticada comumente por pessoas que fogem das normas, é apagada dos estudos históricos e teóricos da arte. Criar evidências de que esses movimentos existem e existiram é também de importância política.

Esse livro é, afinal, uma celebração da montação e de alguns movimentos nos quais ela aconteceu no Rio de Janeiro, nos últimos anos. Da festa como lugar político de quebra das normas, das expectativas. E de experimentação artística, tanto de quem performa, como de quem fotografa.


Para aquisição e entrega de exemplares no exterior, pedimos a gentileza de contato direto pelo interessado, no e-mail comercial@revistaphilos.com

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.