Estamos felizes em anunciar a estreia da pernambucana Luna Vitrolira na música com o álbum visual aquenda – o amor às vezes é isso, trabalho homônimo ao primeiro livro de poemas da multiartista, finalista do prêmio Jabuti 2019. A artista que é capa do nosso suplemento cultural 20/20 contou tudo sobre o álbum e curta-metragem que serão lançados amanhã.

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O curta-metragem “Aquenda – o amor às vezes é isso” integra literatura, música, performance e cinema. O filme dirigido por Gi Vatroi e Aida Polimeni aborda o trajeto de cura, libertação e retorno de Luna Vitrolira para o encontro com sua ancestralidade, através de rituais de cura, da ressignificação da ideia romântica de amor e da cosmificação do espírito. A narrativa se passa em um engenho situado na Zona da Mata de Pernambuco, para onde a personagem volta em busca do entendimento de suas origens, conduzida pelo desejo de reconstruir a sua própria história.

O projeto artístico é resultado de um período de 3 anos de imersão de Vitrolira em estudo e criação. A poesia, ponto de partida da narrativa, se une às influências musicais e cênicas da artista para levar o público a uma reflexão sobre temas urgentes da contemporaneidade.

“A idealização do filme surgiu a partir do desejo de um conteúdo de impacto visual que representasse a potência do disco, trazendo junto a narrativa do trabalho, com o objetivo de convidar o público a acompanhar a personagem em seu trajeto de busca por sua memória ancestral, a partir do amor enquanto mote para dizer sobre a nossa liberdade”. – LUNA VITROLIRA

A Philos já assistiu ao filme que tem 16 minutos carregados de mistério e embalados por 7 faixas do disco e 1 faixa inédita – Águas espessas. A história se passa em um engenho da região canavieira de Pernambuco, onde a personagem faz um mergulho interno no seu eu, buscando identidade e memória. Sobre o tema, Luna nos conta:

“Nesse contexto, o engenho representa um território de poder, domínio, submissão e apagamento, aspectos que caracterizam o projeto político colonial do ocidente e repercutem, há séculos, em diversas camadas da estrutura de nossa sociedade, inclusive em formas disfuncionais e violentas de cativar, estabelecer vínculos e compreender afetos, o que acontece, geralmente, a partir da reprodução da ideia de posse e opressão, quando o tema é amor”.

A obra aquenda – o amor às vezes é isso aborda questões que são profundas e exigem cuidado no trato, na entrega. Todas as narrativas (literárias, musicais e cênicas) dialogam com a vida das pessoas e com suas experiências nesse mundo. A intenção é expor esses temas para falar de liberdade, autopertencimento, do poder e autonomia de cada um sobre seu corpo, sua vida, sua trajetória e suas escolhas como um caminho para cura.

A trilha sonora do filme são faixas autorais que estão no disco, e trazem uma diversidade sonora com base na corporeidade da voz de Luna e na estética e rítmica de seus poemas. As músicas apresentam uma fusão de piano, sintetizadores, beats eletrônicos e percussões que dão origem a harmonias e polifonias não convencionais dentro da estrutura pop contemporânea. Esse resultado dialoga com várias influências musicais da multiartista, como Jazz, Swingueira, Brega-Funk, Funk, Rap, Maracatu, Coco e outros ritmos insurgentes.

“Sei que o trabalho causará impacto, mas a gente pode imergir e afundar sem se afogar. Quero abraçar a história, a sensibilidade e a consciência das pessoas como uma forma de acolhimento. Precisamos falar de um outro Amor que não é esse produto que está no mercado, que não é essa realidade de mentira que nos mata. Podemos construir coletivamente outra versão para o Amor” – LUNA VITROLIRA

Luna tem 28 anos e está na capa do suplemento cultural da Philos 20/20 de primavera-verão. É escritora, poeta, atriz, performer, apresentadora, Mestra em Teoria da Literatura, pesquisadora da poética das vozes e da poesia de improviso do Sertão do Pajeú/PE. Idealizadora dos projetos “De Repente uma Glosa”, “Mulheres de Repente” e “Estados em Poesia”, iniciou sua trajetória aos 15 anos como declamadora de poemas no universo da literatura oral e de Cordel. Ao completar 10 anos de carreira publicou seu primeiro livro de poemas, “aquenda – o amor às vezes é isso”, finalista do prêmio Jabuti 2019, que tem recebido destaque da crítica nacional.

À meia-noite teremos o lançamento do disco, faça o pré-save nas plataformas de stream. Ao meio-dia de amanhã, 26 de março, teremos o lançamento exclusivo do filme aqui no site da Revista Philos. 

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.