A Philos apresentou sua programação literária e de arte na 12ª edição da Feira de Arte do Rio de Janeiro —ArtRio 2022, uma das mais importantes feiras de arte da América Latina.

Pela primeira vez a ArtRio organizou sua programação em dois pavilhões: Mar & Terra. O Terra, na área indoor da Marina, acolheu o programa Panorama, para galerias estabelecidas na cena das artes. O Mar, foi projetado pelo arquiteto Pedro Évora, com vista cartão postal para a Baía de Guanabara e foi palco das galerias dos programas Vista e Solo, esta última com curadoria de Ademar Brito; e a mostra audiovisual MIRA, dos curadores Victor Gorgulho e Henrique Rondinelli. No MAR a Philos desenvolveu suas atividades pelo programa Expansão dedicado às instituições culturais, projetos sem fins lucrativos, editoras e revistas. 

Debatemos o papel da curadoria em artes e literatura na condução de narrativas sociais e políticas em processo no Brasil. Para além das mesas de lançamentos de livros e da sétima edição da Revista com o tema —Como incorporar a revolta?, com participação de grandes nomes como Márcia Falcão, Sabrina Fidalgo, André Di Kabulla, Wallace Pato, Juliana Aragão, André Nigri, Nalü Romano, Chris Facó, Ariane Oliveira, Sabrina Nóbrega, entre outros.

Reunimos grandes nomes da arte, da literatura e da crítica para falar sobre o que está sendo feito hoje na améfrica latina, e isso é falar sobre as questões sociais ainda excludentes dos olhos da nossa sociedade. Brenda e sua equipe se empenharam em apresentar um programa curatorial tão importante e ficamos felizes de estarmos alinhados com essas bandeiras em um evento histórico. Jorge Pereira, curador da Casa Philos. 

E nossa tão famosa e esperada listagem de destaques da ArtRio também se dividirá entre os dois pavilhões com um Top 10 dos melhores projetos e obras apresentados no Pavilhão Terra e um louvável   [e infelizmente, totalmente masculino] Top 5 de artistas do programa SOLO do Pavilhão MAR. Os critérios de avaliação incluíram os eixos: qualidade técnica e pictórica, inovação e narrativa do artista, com notas de 1 a 5. Para o Pavilhão MAR, a categoria expografia foi adicionada aos critérios de avaliação. Eis aqui os nossos destaques da ArtRio 2022:

TERRA

  1. Janaina Torres Galeria, com a obra de Sandra Mazzini 4.8 ★ ★★★☆
    Com um trabalho extremamente detalhado e meticuloso, a artista Sandra Mazzini nos mostra outras dimensões da pintura de paisagem: Inovador e feito com precisão o trabalho é sem dúvidas uma das obras que mais chama a atenção nos estandes a sua volta. A arte voltada para pintura de paisagem muitas vezes malvista como algo clássico demais, Sandra consegue provar que a criatividade supera todos os limites quando se trata de trabalhos de arte.   
  2. Forte D’Aloia & Gabriel, com a obra de Márcia Falcão 4.7 ★ ★★★☆
    Márcia Falcão é sem sombra de dúvidas umas das pintoras mais habilidosas de sua geração. Com pinceladas determinadas e meticulosamente estudadas a artista torna-se uma referência de qualidade na pintura para jovens artistas, críticos, galeristas e curadores. Em sua nova fase ela explora sem medos as possibilidades que sua pintura pode demonstrar no mundo das abstrações. Em frente ao seu quadro é quase possível tocar nos sentimentos que as cores transmitem.
  3. Portas Vilaseca Galeria, com a obra de Gustavo Nazareno 4.5 ★ ★★★☆
    De forma geral as peças de fotografia nesta edição [no Pavilhão Terra] não surpreenderam muito. Mas o que, sem sombra de dúvidas nos surpreendeu, foi a obra de Gustavo Nazareno que se sobressai pela sua escolha de carvão sobre suporte de papel, matizando o quanto o desenho ainda é uma ferramenta  viva. De longe, parecem pranchas fotográficas e de perto se revelam mais perfeitas ainda. Uma bela surpresa a delicadeza e a poética de sua obra. Trabalhar a beleza de corpos negros muitas vezes pode ser visto como algo fetichista, esse não é o caso. Nazareno consegue mostrar com suas corporeidades o mais lindo e perfeito do desenho em carvão, uma técnica que está na humanidade desde o tempo das cavernas.
  4. Rodrigo Ratton, com a obra de Ana Paula Sirino 4.2 ★ ★★★☆
    A pintura a óleo é, até os dias de hoje, um dos suportes mais solicitados por colecionadores. Talvez seja por sua durabilidade quase infinita, mas sem dúvidas é também por conta de sua capacidade pictórica com que artistas jovens como Ana Paula Sirino nos presenteia com suas obras. 
  5. Anita Schwartz, com a obra de Maria Antonia 4.0 ★ ★★★☆
    Já passou pela cabeça de alguém a possibilidade do Di Cavalcanti ter sido uma mulher? Se não, talvez seja chegada a hora. Maria Antonia representa uma classe de artistas que apenas por bater o olho em qualquer peça, alguém que  conheça sua obra é invadido pelos traços trabalhados de forma requintada e mescla nobre de matizes. Utilizar o branco zinco como ferramenta de luz em quadros nem sempre é algo interessante, aqui não é o caso, um domínio nítido do uso de cores.
  6. Galeria Marília Razuk, com obras de Hilal Sami Hilal 3.9 ★ ★★☆☆
    Mesmo não sendo uma obra inédita no circuito artístico de feiras e galerias, é chegada a hora de parabenizar esse trabalho meticuloso da artista Hilal Sami Hilal. Obras que em sua essência levam metais, exigem sempre um trabalho distinto para que o plano final seja, pelo menos, minimamente próximo do plano inicial. É possível ver isso de forma brilhante neste trabalho. 
  7. Galatea, com obras de Allan Weber 3.8 ★ ★★☆☆
    A obra de Allan é algo que vem nos surpreendendo a cada novo trabalho. Ver que sua produção atual está sempre conectada com tudo que ele já produziu nos faz acreditar que artistas podem muito bem evoluir sem perder sua originalidade, criatividade e espaço presente. Damos aqui um destaque para a sua produção de obras em escalas menores.
  8. Portas Vilaseca Galeria, com a obra de Zé Carlos Garcia 3.7 ★ ★★☆☆
    O hibridismo que a arte decorativa nos passa sempre é uma forma de lembrar uma das finalidades da criação artística. A obra de Zé Carlos é uma perfeita dismorfia. O artista mostra uma seleção cuidadosa dos materiais, do acabamento com a madeira e vernizes e assim chega a um resultado final elegantíssimo. 
  9. Galeria Anita Schwartz, com a obra de Pedro Varela 3.5 ★ ★★☆☆
    A memeart se faz cada vez mais presente nos meios de produção da arte contemporânea. Ter uma linguagem atual é algo louvável em tempos em que as dialéticas interpessoais mudam com tanta frequência. Sátiras, piadas e análises cômicas ficam para trás quando estamos falando de um processo como o meme, são necessários símbolos e leituras precisas de cada mimese para vencer essa batalha contra o pensamento engessado da academia. Esse trabalho nos mostra que isso é possível. 
  10. Galeria Base, com a obra de Guilherme Almeida 3.3 ★ ★★☆☆
    Sorrisos dourados em personalidades famosas é algo que à primeira vista pode parecer extremamente batido. Porém, ao trabalhar esses mesmos rostos através de uma crítica ao espaço que eles ocupam, Guilherme cria a receita certa para causar o incômodo genial que essas obras oferecem em uma feira de arte que, por anos foi voltada para um público específico, mas que vem mudando a cada edição. O mercado está sim se renovando.

10. Galeria Movimento, com a obra de Jan kaláb 3.3 ★ ★★☆☆
Cada olho vê as cores de uma forma diferente. Pensando assim, sabemos que as cores são como uma impressão digital, cada olho vê o que está catalogado em si. Mas o pôr-do-sol sem dúvidas é algo que toca a todos. Talvez por isso esse trabalho seja algo tão belo. Um trabalho muito bem feito em forma de degradês e qualidade.  

Jan Kaláb, Small Carnival Kaleidoscope, pela Galeria Movimento Arte Contemporânea.

MAR [solos]

  1. Elian Almeida
    A técnica muitas vezes é o grande “calcanhar de Aquiles” de muitos artistas. Mas aqui Elian Almeida se sobressai por conseguir ler muitos artistas e assim criar algo único. Nas obras dele conseguimos enxergar muito de Debret, Adriana Varejão e Arjan Martins, por exemplo. Talvez não sejam essas suas fontes, mas sem sombra de dúvidas o equilíbrio que a sua obra traz pode ser lido por todos que se percebem colonizadores e colonizados. Esse tipo de exposição mostra que a casa grande está cada dia mais distante de espaços que lutam por uma equidade social.
  2. Maxwell Alexandre
    Já não é novidade o trabalho de Maxwell Alexandre. Mas a forma como ele expõe mudou drasticamente de sua última exposição para a atual. E isso é incrível. Ao tentar adentrar no espaço, somos rapidamente impedidos por policiais bloqueando a entrada. É uma forma poética de falar sobre a marginalização dos corpos negros. Justamente por isso é essencial lembrar que a expografia é algo que sempre pode surpreender quem está se conectando com o mundo das artes. Talvez essa seja, infelizmente, a única possibilidade de muitas pessoas de sentirem o desprazer de uma barreira de policiais
  3. Wallace Pato
    Decerto temos aqui um dos nomes mais importantes da pintura do Brasil em técnica óleo. Wallace Pato é uma pessoa simples e tímida em falar do seu trabalho. Poucos sabem, mas essa é, muitas vezes, uma característica uníssona entre os grandes pintores. Fruto de uma pesquisa minuciosa, o trabalho do Pato é o registro de um povo, de histórias e decerto de um tempo. Muito nos alegra vivermos no mesmo tempo retratado por Pato.
  4. Antônio Tarsis
    A arte contemporânea é, muitas vezes, fruto de trabalhos conceitualizados não levando em consideração o acabamento e a técnica utilizada. Nesta exposição podemos ver como é bonito o esmero de um artista em traduzir sua obra para um público. A montagem está impecável e isso torna importante a percepção de sua obra. Utilizar novos suportes sempre será um bônus em relação ao que está sendo criado. Acreditamos que  não há nada mais prazeroso para os  críticos do que ver algo novo e bem pensado.

    Obra de Antonio Tarsis, apresentado em seu SOLO na ArtRio 2022.
  5. Jota
    Um pintor jovem que, sem audácia alguma, consegue de forma simples mostrar o seu cotidiano. Esse é Jota, um menino que utiliza suas vivências para aproximar as pessoas de uma realidade ainda excludente. Se pensarmos em todas as pessoas que passaram por um evento como a ArtRio e que jamais se imaginariam descolorindo um bigode em uma laje da periferia do Rio de Janeiro, teremos aí a verdadeira importância de mostrar novas percepções para as bolhas.

Destacamos ainda, dentro do Pavilhão MAR, os estandes institucionais que apresentaram seus programas especialmente selecionados pela ArtRio. Muitos desses projetos têm apenas essa possibilidade de mostrar o trabalho incrível que desenvolvem com seus artistas. Em especial, para a obra sensível de Manuela Navas e seus estudos sobre a maternidade, presente no estande das Artistas Latinas.

Manuela Navas, Estudos sobre a maternidade, no Institucional das Artistas Latinas.

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