Segue em cartaz até o próximo domingo, 23 de outubro, a exposição Podre de Chique —uma retrospectiva extraordinária de Adir Sodré, promovida pelo MT Projetos de Arte, no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, com curadoria de Guilherme Altmayer e Leno Veras. A mostra reúne obras inéditas ao público, presentes em diversas coleções brasileiras que, desde cedo, reconheceram a importância deste artista.

Uma exposição retrospectiva de Adir Sodré permite-nos dimensionar a relevância de sua obra, pois os temas por ele tratados há mais de três décadas ainda permanecem extremamente atuais e estão nas manchetes: a defesa ambiental, a crítica ao poder político, o perfil ainda elitista do sistema de arte e as questões referentes à sexualidade. Adir trata com muita elegância e contundência tudo isso. Margareth Telles, fundadora do MT Projetos de Arte e idealizadora da exposição.

Adir Sodré nasceu, em 1962, em Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá, mas passou quase toda a vida na capital. Ao som de artistas como a berlinense Nina Hagen e a sul-mato-grossense Tetê Espíndola, Adir pintou, freneticamente, por mais de 40 anos. Sua produção aborda temas relacionados à cultura regional e à defesa ambiental e dos povos indígenas. Além de celebridades, transformistas e outras personalidades, o artista trabalhou diferentes referências – de Picasso a Matisse e Tarsila do Amaral – como pano de fundo de suas extravagantes criações. O artista expôs nos museus de Arte Moderna de Paris, Nova Iorque, Rio e São Paulo. Suas obras também compõem o acervo de grandes museus nacionais e internacionais. Adir faleceu em 2020, aos 58 anos. Nina Sodré, filha única de Adir, destaca que a obra do pai manteve a atualidade:

Hoje, falamos muito sobre diversidade, sobre sexualidade, sobre a cultura Queer, e isso é novo para muitos. Para meu pai, porém, essa temática já era bastante comum nos anos 1970. Por isso, ele foi muito incompreendido e até censurado. Quantas vezes vimos seus quadros sendo retirados das exposições. Ele foi censurado, repreendido, esquecido e excluído. Acredito que agora o mundo está pronto para receber sua obra. Nina Sodré.

Os curadores Guilherme Altmayer e Leno Veras explicam que organizaram a exposição de forma não linear quanto a sua cronologia. “As obras estão mescladas em cinco proposições conceituais: Cuyaverá (Cuiabá), Tapa na cara pálida (horrores da branquitude), Ditos e malditos (imundos das artes), O pop não poupa ninguém (cultura de massas) e Manifestos paus, Brasil! (fabulações estético-eróticas)”. Na exposição, que conta com apoio da Prefeitura de Cuiabá, há um retrato de Gilberto Chateaubriand, recém-falecido, que colecionou a obra do pintor mato-grossense desde a década de 1980, quando o artista despontou na Geração 80. E outro retrato de Pietro Maria Bardi, que o convidou para uma individual no MASP, quando o artista contava apenas 21 anos.

MT Projetos de Arte promove encontro com a crítica de arte Aline Figueiredo no Paço Imperial  

Para celebrar o sucesso da mostra “Podre de Chique: uma retrospectiva extraordinária de Adir Sodré”, o MT Projetos de Arte promove neste sábado, dia 22 de outubro, o encontro com a crítica de arte Aline Figueiredo, curadora associada à Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), para uma conversa sobre as obras do artista mato-grossense Adir Sodré. Com o tema “Arte aqui é mato: outras centralidades na produção brasileira”, Aline Figueiredo abordará a importância de Adir Sodré para a consolidação de Cuiabá e do Centro-Oeste brasileiro como polo de experimentação estético-política contemporânea.
Aline Figueiredo é crítica e curadora de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), e escritora com vasta publicação especializada. Foi responsável pela criação do Museu de Arte e de Cultura Popular de Mato Grosso na UFMT, em 1974, junto ao artista plástico Humberto Espíndola; implantou a Fundação Cultural de Mato Grosso, em 1975; e desenvolveu o Ateliê Livre, o Salão Jovem de Arte Mato-Grossense e a Pinacoteca Estadual de Mato Grosso, em 1976.
O encontro será mediado pelo Guilherme Altmayer, que é professor e pesquisador em Teoria, História e Crítica pelo Departamento de Integração Cultural da ESDI/UERJ, e co-curador da presente mostra no Paço Imperial.


Diálogo com a crítica de arte Aline Figueiredo,no sábado, dia 22 de outubro de 2022, às 15h, no Paço Imperial, na Praça Quinze de Novembro, 48, no Centro do Rio de Janeiro. Entrada gratuita.