Nos 42 textos reunidos nas páginas que se seguem, Paulo Emílio Azevedo filia-se a “tradição” da crônica com um olhar original, peculiaríssimo. A rua aparece como espaço de embate. De um lado, os vínculos afetivos, a cidade na qual tocamos e pela qual somos tocados. Antigas barbearias, o pão na chapa com café fresco, uma criança mascando chiclete. Do outro, a urbe gourmetizada, que apaga identidades — e potências — em nome da assepsia do “novo”.

Encanto-me com as coisas simples da vida — esse é meu jeito de andar pelo mundo”, escreve o autor, como uma espécie de profissão de fé. Em sua caminhada, Paulo Emílio perscruta pequenezas que não raro passam despercebidas no cotidiano. Os títulos das crônicas, grafados em letras minúsculas, já sinalizam a procura pelo tom menor, por iluminar a transcendência do que é aparentemente banal. O projeto gráfico da Casa Philos deixa o livro ainda mais incrível.

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O Maracanã pode tomar a forma de um quintal em Macaé. Assim como a Festa de São João pode voltar à memória no palato, a reboque do sabor do pé-de-moleque de Dona Efigênia, ou do quentão de Seu Luís. Sem pressa, porque Paulo Emílio bem sabe que a correria é inimiga do cronista. E tempo, ele mesmo diz, “é diferente de relógio. Ter tempo é não ter relógio”.

O Andarilho
Paulo Emílio Azevedo
ISBN 978-65-00-01266-8
Casa Philos (outono 2019)
160 páginas (Bilíngue PT-ES)


Paulo Emílio Azevedo é Professor, Pós Doutor em Políticas Sociais e Doutor em Ciências Sociais com especialização em Antropologia do Corpo e Cartografia da Palavra. Escritor, criador no campo das artes cênicas e consultor na área de Educação e Cultura, cuja pesquisa tem por objetivo refletir sobre outras formas de comunicação aos diversos protagonismos e redes de sociabilidade na sociedade contemporânea. Recebeu diversos prêmios, entre eles “Rumos Educação, Cultura e Arte” (2008/10) através do Instituto Itaú Cultural e “Nada sobre nós sem nós” (2011-12) no âmbito da Escola Brasil/Ministério da Cultura. Sendo um dos introdutores das práticas do poetry slam no Estado do Rio de Janeiro, vem desenvolvendo uma série de ações no campo da palavra falada e performance poética. Em 2018 representou o país na Journée d’Etudes Cultures, arts et littératures périphériques dans les Amériques: une approche transnationale de la production, la circulation et la réception em Lyon (França). Tem dezessete livros escritos, sendo três bilíngues. Coordena a Rede Cia Gente e orienta conteúdos para Fundação PAz – plataforma que registra e protege sua produção  intelectual. Com esse completa dezoito livros publicados. É pai de Hiago, sua obra-prima.


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