Desde 2015 a Revista Philos transforma as afinidades literárias, históricas e culturais em instrumentos de cooperação, partilha e democratização de nossa latinidade. Uma latinidade ativa encoraja o intercâmbio entre pessoas e favorece o diálogo sobre as nossas origens comuns, permitindo o reconhecimento de nossas perspectivas culturais.

A Revista Philos publica estudos literários críticos e inovadores em línguas neolatinas, que reflexionam acerca das questões da latinidade, história e etnografia, estudos africanos e ibero-americanos, centralidades periféricas, ações e práticas educativas, literatura de povos originários, manifestações culturais e tradições orais comunitárias, arte poética e estudos contemporâneos.

Em 2018 nos tornamos observadores da Secretaria-Geral Ibero-americana (SEGIB) e usamos esse momento de debate para convergir em ideias e propostas de trabalho que permitam o desenvolvimento social de nossas comunidades latinas a partir da promoção dos vínculos históricos, culturais, sociais, linguísticos e artísticos entre os países ibero-americanos para valorização da diversidade entre seus povos. Criamos assim a Casa Philos, residência de criatividade da Revista Philos, que promove, apoia e desenvolve ações colaborativas para democratizar e expandir nossa literatura e arte.

O que fizemos pela neolatinidade durante esse quinto ano de existência?

Aprofundamos o nosso compromisso com a igualdade de gênero; participamos da revisão do X Relatório de Cooperação Sul-Sul da SEGIB de 2018, através de pautas para políticas de coesão social por meio da educação. Renomados pesquisadores somaram forças ao nosso projeto, como Herta Müller e Jostein Gaarder, vencedores do Prêmio Nobel de Literatura; e escritoras premiadas do Brasil, como Jarid Arraes, Cristina Judar, Gabriela Soutello, Katia Gerlach. Colaboramos com a digitalização de bens culturais e artísticos da agenda e realizamos escutas em 2018, durante a XXVI Cúpula dos Povos Indígenas da América Latina e Caribe. O resultado desse trabalho foi publicado na edição de abril do mesmo ano.

No âmbito institucional, apoiamos a campanha Diferentemente Iguais da SEGIB, que mostrou a diversidade da Ibero-América e contou com a participação de todos os países para difundir as conquistas da cooperação e explicar os nossos programas de cultura, coesão social e conhecimento, e conseguimos os melhores resultados da nossa história em campanhas. Foram mais de 300 referências na mídia, alcançamos mais de 500 mil pessoas dos nossos 22 países através da nossa campanha “Latinidades, lesbiandade, diversidade, gays, trans, travestis, transcultural, marginal“, em parceria com a artista Déborah dos Falsetes, que teve espaço na Casa Philos durante a 17ª Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP).

A Philos esteve presente nos principais festivais e foros nacionais e internacionais de educação, leitura e cultura. Durante o ano de 2019 trabalhamos como um organismo de cooperação para um bem comum em que os cidadãos se tornam os verdadeiros protagonistas de suas histórias, vivências e cultura.

Por fim, construímos a Philos para o intercâmbio de conhecimentos para demonstrar que arte e cultura de neolatinidade não existiriam sem algo muito mais importante: as pessoas. Nós pensamos a Philos como um espaço capaz de assumir compromissos de ambos os lados do Atlântico, partindo das diferentes realidades dos nossos povos, valorizando a própria idiossincrasia e face às vulnerabilidades e desigualdades ainda existentes.

Pautamos a nossa agenda de forma interdependente, resultando em compromissos para nossas comunidades. Desde 2018 contribuímos para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável Número 5, sobre igualdade de gênero e empoderamento das mulheres, abrindo o nosso comitê editorial e curatorial para uma representatividade feminina expressiva de mais de 80% de nossas convidadas para ações e projetos do biênio 2018/2020. Convidamos também para se unirem à iniciativa povos originários das Américas, em especial, colaboradores do FILAC – Fundo para o Desenvolvimento dos Povos Indígenas da América e do Caribe. Ampliamos a nossa rede de curadores para Buenos Aires, Caracas, Lima, Bogotá, Lisboa, Porto, Coimbra, Andorra, Madri, Milão, Veneza, Angola, São Tomé e Príncipe e Moçambique. Ao todo somos mais de 43 colaboradores em toda a Ibero-América.

Durante toda a sua trajetória, a Philos manteve sua participação e apoiou inúmeras iniciativas, processos e fóruns a nível global, regional e nacional. No âmbito destas colaborações, somam-se aos nossos esforços a participação intrínseca da Academia de Letras de Toledo – ALT, no Paraná, com práticas permanentes de incentivo à leitura na cidade, que empreenderam ações dirigidas e reforçaram a expansão da cultura neolatina como eixo transversal de desenvolvimento das nossas comunidades nipônicas, com o Concurso de Haicai de Toledo – Kenzo Takemori.

Para as ações da Philos considerou-se prioritário manter o apoio e dar visibilidade ao movimento organizado da sociedade civil afrodescendente, para o qual se continuaram os trabalhos de difusão pautados nas ações propostas pelo último Relatório sobre Organizações da População Afrodescendentes da América Latina. Criou-se um núcleo de curadoria editorial de mulheres negras e paralelamente promoveu-se o apoio institucional ao Centro do Teatro do Oprimido – CTO no Rio de Janeiro, fortalecendo ações educativas e práticas artísticas e teatrais para os mais de dez grupos de Teatro do Oprimido da Organização.

É um compromisso nosso promover o desenvolvimento de ações que fortaleçam as culturas das comunidades através de consensos, alianças e intercâmbios para a ação conjunta entre diversos agentes sociais. Bimensalmente promovemos a criação e divulgação de conteúdos culturais e multilíngues, alargando e garantindo acesso aos meios de produção, à fruição e à divulgação da cultura neolatina. Almejamos o desenvolvimento de redes de cultura cooperativa, solidária e transformadora, através do fortalecimento da capacidade de organização comunitária. Para isso, fazemos uso de linguagens artísticas, símbolos e espaços vivos culturais, bem como a apropriação criativa do patrimônio cultural, para estimular a reflexão crítica e a construção de cidadania.

Produzida em 6 línguas neolatinas e integralmente em língua portuguesa, a Revista Philos salienta o caráter de comunidade plural da União Latina e expõe os resultados da cooperação neolatina através da partilha e do intercâmbio literário, artístico e cultural.

Esses cinco anos foram marcados por um grande número de eventos, entre os quais devemos destacar uma ação pró-ativa da Philos na curadoria de todos eles, como o Festival Walk&Talk nos Açores, as ações da Casa Philos nas edições de 2018 e 2019 da Flip – Festa Literária Internacional de Paraty, a Flipoços – Festa Literária Internacional de Poços de Caldas, no Salão Carioca do Livro (LER) e na Festa Literária de Santa Teresa – Flist; bem como nas ações de Adaptações Literárias para o Cinema Brasileiro do Instituto Moreira Salles, que teve lugar em São Paulo, em 2018. Para além das sessões do Cine Philos, em parceria com a Vitrine Filmes e o Canal Futura.

Ser plural é um desafio constante, mas também representa nossa missão de difundir na sociedade as mais amplas formas de conhecimento e saberes. A nossa cultura de latinidade está presente nas manifestações artísticas, no convívio, no relacionamento entre as pessoas e na apropriação democrática dos espaços públicos.

Contribuir para o fortalecimento da comunidade latina é também lhe assegurar uma projeção internacional. A partir da criação da Philos e até a data, temos fixado com clareza as nossas prioridades no estabelecimento de parcerias que garantam a expansão e democratização de nossas ações. Como observadores da SEGIB, alcançamos o reconhecimento de diversas Instituições do Brasil e do mundo, incluindo uma relação estreita com os espaços linguísticos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Em maio 2019, fomos reconhecidos como revista de divulgação científica e cultural pelo LATINDEX – Sistema Regional de Información en Línea para Revistas Científicas de América Latina, el Caribe, España y Portugal, que indexou a Revista Philos no folio 27955 da Instituição. A Revista Philos é registrada sob o número SNIIC AG-20883 no Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais do Brasil com ISSN 2527-113X.