A artista travesti Gabi Beneditta, natural de Arcoverde, Pernambuco, está em cartaz no MAC Niterói, com a obra “Cadê Minhas Irmãs?”, performance que integra a exposição coletiva “Ah, Eu Amo As Mulheres Brasileiras”, com curadoria de Luiza Testa, aberta à visitação até o dia 25 de fevereiro de 2024, e que reúne 34 obras de artistas mulheres de todo o país, que questionam a objetificação do corpo da mulher brasileira.

Expondo pela primeira vez no Rio de Janeiro, a artista quis trazer para a performance registrada em vídeo, uma interpretação de momentos de profunda solidão que viveu em sua cidade natal. Para ela:
Em muitas ocasiões, vivi momentos de solidão nos diversos lugares que eu tanto apreciava em Arcoverde – na escola, em festas, no cinema, teatro, galerias, e em outros espaços. Essa sensação constante de desconforto sempre me levou a questionar: onde estão as travestis? Onde estão minhas irmãs? Apesar de manter uma forte conexão emocional com todas elas, raramente compartilhávamos os mesmos espaços.
Dessa inquietação pessoal surgiu “Cadê Minhas Irmãs?” que, segundo Gabi, vai além de abordar a morte:
Ela explora de maneira profunda como ocupamos certos lugares e questiona nossa ausência nos espaços públicos e privados. Esse questionamento é vital na construção de uma sociedade justa e inclusiva, destacando a necessidade urgente de repensar como nos relacionamos com os espaços ao nosso redor.
A Garota de Ipanema, Iracema, Capitu, Gabriela, as rainhas do carnaval… A mulher brasileira habita há anos o imaginário coletivo como um ícone de sensualidade. Por muito tempo, o seu corpo vem sendo objetificado e hipersexualizado em diversas esferas, especialmente na arte. Após estrear em Nova York e passar por São Paulo, a exposição coletiva “Ah, Eu Amo As Mulheres Brasileiras!”, chega ao Rio de Janeiro para questionar este “inevitável” ponto de vista e oferecer outra perspectiva sobre essas identidades.
Divididas em quatro grandes núcleos, as obras reúnem instalações, fotografias, esculturas, vídeos, litogravuras, entre outras linguagens, que vêm desafiar este lugar-comum, por meio da sensibilidade de artistas brasileiras de diferentes raças, etnias, idades e perfis. A curadora Luiza Testa buscou nomes consagrados no Brasil e no exterior, além de novos expoentes, para diversificar ao máximo o olhar sobre a proposta. Participam: Alice Ruiz, Arissana Pataxó, Berna Reale, Brenda Nicole, D’anunziata, Dalila Coelho, Fernanda Naman, Gabi Beneditta, Juliana Manara, Lenora de Barros, Mahuederu Karajá, Manuela Navas, Mari Nagem, Marta Neves, Milena Paulina, Micaela Cyrino, Nara Guichon, Raquel Pater, Santarosa Barreto, Terroristas del Amor, Vitória Cribb e Yacunã Tuxá. Para a curadora:
É um prazer, enfim, trazer a mostra para o Rio de Janeiro e a expectativa é que a gente possa discutir a sexualização da mulher brasileira. Não necessariamente chegar a uma conclusão, mas começar a falar sobre isso. Embora a gente saiba que hoje tudo está globalizado e a internet dá acesso à arte e a essa discussão, é importante levá-la para o mundo real.

“Ah, Eu Amo As Mulheres Brasileiras!” teve sua estreia internacional na apexart, em Nova York, sob o título de “Oh, I Love Brazilian Women!” e também passou pelo Centro Cultural São Paulo (CCSP) este ano. Depois, seguirá em itinerância pelo Brasil.
Gabi Beneditta é rtista visual, travesti, mulher preta e sertaneja. Com uma trajetória de mais de 15 anos vivendo em Arcoverde, ela iniciou sua jornada artística no teatro local, participando ativamente de diversos grupos e espetáculos. Destacando-se como idealizadora e colaboradora da 1ª mostra de artes e gênero “Caldeira – Mostra de Artes” em 2017, Gabi também é a mente por trás da festa underground “Shock de Monstrxs”, que tem sido um espaço seguro e inclusivo para a comunidade LGBTQIAPN+ desde 2018 em Arcoverde. Além disso, ela é produtora e idealizadora do “1º Encontro Jacinta de Arte e Guerra”, realizado em 2020 durante o Mês da Visibilidade Trans.
Serviço: Ah, Eu Amo As Mulheres Brasileiras, até 25 de fevereiro de 2024, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói, no Mirante da Boa Viagem, s/nº, Boa Viagem, Niterói – RJ; de terça a domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h30). Ingressos: R$16 (inteira) e R$8 (meia-entrada). Os ingressos podem ser adquiridos na Bilheteria do MAC, ou pelo Sympla.