ArPa 2025 reúne obras que refletem as tensões do presente político e social
Começando hoje (28) e indo até o dia 1 de junho, a feira de arte contemporânea ArPa reúne cerca de 60 galerias de 14 países na Mercado Livre Arena Pacaembu. Entre os trabalhos apresentados na 4ª edição da feira, há forte presença de temas relacionados ao clima social e político atual, com artistas que transitam com naturalidade entre os circuitos institucional e comercial.

Representado pela OMA Galeria, Fábio Magalhães (Tanque Novo – BA) investiga os efeitos dos conflitos territoriais, políticos e sociais globais sobre o ser humano. Na série Guerra do soldado sem razão, retrata uma guerra travada por soldadinhos de brinquedo, arrastados para um confronto sem sentido. Os corpos de plástico verde aparecem desmembrados e com as expressões congeladas em gritos silenciosos, em uma denúncia sobre como a guerra destitui o indivíduo de sua subjetividade. Ao escolher um elemento lúdico como personagem principal, Magalhães tensiona infância e violência, evidenciando a banalização da guerra em contextos históricos que negam a inocência. A série integrou uma exposição recente do artista no Museu de Arte da Bahia, em 2024.
Também no estande da OMA, Giovani Caramello (Santo André – SP) apresenta esculturas hiper-realistas que exploram as camadas invisíveis da experiência humana. Em suas figuras silenciosas e introspectivas, o artista evidencia o peso emocional de um tempo de instabilidades, em que as fragilidades e ansiedades são empurradas para debaixo da superfície. Em 2024, Caramello realizou exposições individuais nas unidades da Caixa Cultural em São Paulo, Fortaleza, Recife, Curitiba e Brasília.

No estande da Almeida e Dale, Lais Myrrha (Belo Horizonte – MG) questiona os instrumentos da história e seu papel nos discursos de poder. A série Céu de Brasília, apresentada na ArPa, faz uma reflexão crítica sobre a arquitetura e símbolos do projeto modernista brasileiro. Utilizando materiais emblemáticos das arquiteturas colonial e modernista, como azulejo, ouro e ferro, a artista destaca as conexões entre os períodos e questiona as continuidades e rupturas nas estruturas sociais e na construção da identidade nacional. Em 2021, a artista ocupou o octógono da Pinacoteca de São Paulo com O condensador de futuros, instalação que faz alusão à arquitetura de Brasília.
Serviço: ArPa 2025, de 28 de maio a 1 de junho de 2025, quarta a sábado, das 13h às 20h e domingo, das 11h às 18h. Na Mercado Livre Arena Pacaembu, São Paulo, Rua Capivari (Portão 23) ou Praça Charles Miller. Classificação: Livre para todas as idades. A ArPa conta com recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência.