Conversamos com Edmilson Alves de Jesus, que atua na Biblioteca Virtual Consuelo Pondé da Fundação Pedro Calmon, na Bahia. Um diálogo inspirador sobre o poder transformador da literatura e da arte nos territórios.

Fomos convidados pela curadora Andrea Rosevell para participar com a Casa Philos como parceiros institucionais da primeira edição do FELINA Festival Literário do Litoral Norte e Agreste Baiano 2025, evento que aconteceu entre 16 e 18 de outubro, e movimentou um grande público em torno do livro e da arte, ampliando a circulação de livros no território e estimulando diversas ações em torno das produções culturais locais. E pudemos acompanhar a atuação da Fundação Pedro Calmon (FPC), vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), responsável por coordenar, articular e gerenciar as políticas culturais voltadas para os campos da leitura, das bibliotecas e da memória no Estado. 

Público da Casa Philos no FELINA 2025, Bahia.

Ao longo dos últimos anos, a Casa Philos tem participado ativamente de festivais e feiras literárias na Bahia, interiorizando a nossa atuação curatorial. E temos observado um cenário vivo e promissor para o desenvolvimento da cultura e da arte nas cidades do Estado em que visitamos com nossa programação. Essa experiência reforça a importância do Programa Bahia Literária como uma iniciativa essencial para o fortalecimento do campo do livro e da leitura, além de representar um modelo inspirador a ser seguido em outras regiões do Brasil.

Sobre isso, conversamos com Edmilson Alves de Jesus, da Fundação Pedro Calmon, que consolida as políticas do livro e da leitura como algo vital para o desenvolvimento do Estado e dos municípios, promovendo a formação de uma sociedade leitora e ampliando o acesso ao conhecimento. Acerca do sucesso das iniciativas apoiadas pela Fundação, Edmilson nos conta:

“Investimento. Em primeiro lugar, tem um investimento hoje descentralizando os recursos financeiros da cultura, que antigamente estavam centralizados nas capitais. O governador [Jerônimo Rodrigues], enquanto professor e quando ele ainda era secretário de educação do Estado, desenhou —é um desejo dele, foi um projeto pensado por ele— essa vontade de que as Feiras Literárias pudessem estar nos quatro cantos da Bahia, atingindo todos os territórios de identidade, adentrar os povos originários, os quilombos, em todos os lugares possíveis para que a gente possa levar a política do livro e da leitura. O que a Fundação Pedro Calmon hoje preza é a construção de novos leitores, para que a juventude tenha esse acesso ao livro, à leitura, e com isso a gente tenha jovens mais pensantes.” 

A Fundação Pedro Calmon a partir do Programa Bahia Literária do Governo do Estado, vem destacando seu papel no incentivo e financiamento de eventos literários em toda a Bahia, defendendo a necessidade de transformar essa mobilização sociocultural em uma política pública de Estado, garantindo continuidade aos eventos contemplados e fortalecendo a cadeia produtiva do livro e os espaços de leitura.

“A Bahia hoje se torna, a nível nacional, o Estado que mais investe em políticas públicas direcionado à literatura, à cultura, ao livro e à leitura. Foi um investimento geral do Estado, de R$24.3 milhões, um valor bem significativo em relação ao que nós tínhamos no passado. Saímos de 7 feiras no ano retrasado, para 115 feiras no total. Sendo 81 delas, feiras do nosso edital de contemplados. Tivemos 509 projetos inscritos, para serem selecionados 81, então foi um processo bem delicado e hoje a gente está em execução em todos os núcleos do Estado. Hoje o FELINA faz parte de uma dessas feiras, o território do Agreste baiano foi contemplado com duas feiras, e a gente tem aí até junho e julho do ano que vem a execução ainda do restante dessas iniciativas, tem muita coisa boa ainda para acontecer na Bahia que seja direcionado à leitura e ao livro.” 

Em agosto, a Casa Philos marcou presença pela segunda vez na Fligê – Festa Literária de Mucugê, realizada na Chapada Diamantina e que também é apoiada pela Fundação. Perceber que a imensidão territorial da Bahia é comparável à sua imensidão cultural é fundamental para compreender a grandiosidade e a diversidade dos eventos literários que se desenvolvem em todo o Estado. Sobre isso, Edmilson comenta:

“Existem algumas feiras que hoje estão bem consolidadas no calendário das festas literárias, a gente tem como exemplo a FLIFS, que é em Feira de Santana, é uma das feiras mais antigas que temos na Bahia, se não me engano, ela está com 18 anos da sua edição. Tem a grande feira de Mucugê, a Fligê. E a FLICA, a Feira de Cachoeira. Então para citar aí um ranking com essas três principais feiras literárias. E a gente está realizando muitas feiras de primeira edição. Tem muitas feiras hoje como o FELINA que estão no começo.”   

Ele também incentiva outras iniciativas e grupos que ainda não submeteram seus projetos a participarem dos editais e contarem com o apoio da Fundação Pedro Calmon, que tem sido uma parceira fundamental na promoção do livro, da leitura e da cultura baianas.

“O conselho é que escrevam os seus projetos, construam a sua Feira Literária, coloquem no papel e se inscrevam no próximo edital para que mais feiras possam surgir, que mais feiras possam realizar a sua primeira edição, que desses mais de 500 inscritos a gente dobre essa quantidade, por entender, de fato, que a Bahia é um celeiro cultural, que está se tornando esse celeiro cultural há muitos anos. E hoje, em 2025, temos esse que é um marco para essa cultura regional, onde a gente expande a questão literária como a sua melhor forma. E as feiras de primeira edição, elas estão aí, impulsionando todo o Estado, mais da metade das feiras que foram contempladas são feiras de primeira edição, incentivando, trazendo esse incentivo cultural para que as pessoas tenham essa vontade de produzir literatura, de produzir encontros literários… E esse é o nosso desejo, que muitas feiras, mais de primeira edição sejam realizadas.”  

Por meio da Diretoria do Livro e Leitura (DLL), do Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), do Centro de Memória da Bahia (CMB), do Memorial dos Governadores e do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas (SEBP) —responsável pela gestão das nove bibliotecas estaduais e uma biblioteca virtual —, a Fundação Pedro Calmon desenvolve ações de recolhimento, organização, preservação e divulgação de acervos documentais de arquivos públicos e privados. E conversamos com Edmilson sobre esses braços de atuação da Fundação:

“Saímos, em 2023, de 7 feiras literárias para, em 2024, 34 feiras literárias. E em 2025 foram 81 feiras com patrocínio direto pelo edital da Fundação Pedro Calmon. Nós temos dois ônibus móveis, que é uma biblioteca adaptada dentro de dois ônibus, então chamada de Biblioteca Móvel de Extensão, mais conhecida como BIBEX. E aí ela roda as feiras! Vai com toda a dinamização de livros, contação de história e atividades educativas.Ao todo a fundação conta com oito bibliotecas, sendo seis bibliotecas físicas, uma virtual e uma móvel – que são alocadas em dois ônibus. Além do Centro de Memória do Estado e o Arquivo Público. Sendo os eixos de biblioteca, memória e arquivo os nichos do trabalho da Fundação.”

E ele nos conta também sobre o projeto Leve e Leia, uma iniciativa da Fundação Pedro Calmon voltada à democratização do acesso ao livro e à promoção da leitura como prática social. O projeto incentiva o compartilhamento de livros e o debate crítico por meio de uma ação lúdica: o “Quiz Literário”, jogo de perguntas e respostas sobre literatura baiana.

“A gente tem um projeto literário chamado Leve e Leia, que é um quiz literário sobre literatura baiana. E aí os jovens participam, onde eles vão acertando as perguntas e vão ganhando livros. É um projeto muito bacana que a Bahia inteira quer e deseja, mas infelizmente a gente tem que ainda atender de forma pontual, mas é um projeto que está se expandindo e a gente espera que possamos atender muito mais eventos que nem esse aqui [o Felina].”

Edmilson Alves faz parte da Fundação Pedro Calmon, trabalha e atua na Biblioteca Virtual Consuelo Pondé, uma biblioteca virtual totalmente voltada à história da Bahia e às manifestações culturais do Estado. A plataforma disponibiliza dossiês, exposições, documentos históricos, revistas e podcasts especializados, reunindo um vasto conteúdo sobre a memória e a cultura baiana. O acervo é composto por obras em domínio público ou devidamente autorizadas pelos autores para publicação e guarda. Também integra links e referências a materiais disponíveis na web relacionados à temática. As exposições virtuais e websites produzidos têm como propósito convidar o público a conhecer mais sobre a história do Brasil e da Bahia, seus acontecimentos marcantes e os personagens que contribuíram para a construção da nossa História.

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Publicado por:Philos

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